Indicação - mangá

METEOR METHUSELAH – Coisa que só acontece com quem tá vivo (há mais de 600 anos)

Eaê povo, tudo em riba?

Cá estou eu de volta recomendando coisas esquisitas e obscuras. Mas faz algum tempo desde a última vez que eu consegui escrever por aqui, então talvez tanto eu quanto vocês devêssemos ficar felizes com o resultado?? Qualquer que seja.

Essa sou eu esses dias.

Anyway, se alguém ainda lembra do meu post sobre Hisone to Masotan, talvez lembre também que estou tentando escrever recomendações menores, mais enxutas e menos emocionadas. Não que eu não goste de ser emocionada (eu gosto), mas só porque a obra não é ~perfeita~ e não me faz escrever 5000+ palavras não quer dizer que ela não mereça ser recomendada.

Tudo isso pra dizer que tenho consciência de que estou recomendando um troço esquisito e falho, e que se vocês decidirem ler por conta da minha influência… bom, honestamente, o problema é todo de vocês.

Informações técnicas:

  • Também conhecido como: Immortal Rain
  • Autora: Kaori Ozaki
  • Capítulos: 61 (11 volumes – finalizado)
  • Ano: 1998-2011
  • Serialização: Wings
  • Gêneros: ação, aventura, fantasia, romance, drama, ficção científica, sobrenatural; shoujo

Sinopse:

Depois da morte do seu avô, um famoso caçador de recompensas, Machika Balfatin decide ir atrás do único alvo que ele nunca conseguiu capturar: o imortal Matusalém, um homem que, segundo os rumores, está vivo há mais de 600 anos. Quem ela encontra de fato é o simpático, desajeitado e definitivamente imortal Rain Jewlitt; toda a coisa da captura não dá muito certo, e os dois acabam viajando juntos por um tempo. Daí pra frente a situação só piora quando eles entram no caminho da grande empresa de tecnologia Calvaria e seus laboratórios de armas no submundo, ou ainda com a notícia do prenunciado e iminente renascimento de Yuca Collabel, o homem responsável pela imortalidade de Rain. Só pra constar, “a situação só piora” aqui significa “o fim do mundo está chegando”.

Links: MangaDex (inglês) | Mangakakalot (inglês) | Mangá Livre (português – incompleto)

Se você se der ao trabalho de olhar a página do MyAnimeList deste mangá estranho e desconhecido do fim dos anos 90, a primeira coisa que vai perceber é que as quatro resenhas mais bem votadas deram nota 10 redondo. Eu achei isso ridículo no começo, mas hoje cá estou eu com a minha nota 10 igualzinha (9,5 na verdade, mas o MAL não permite esse nível de detalhe).

Agora vem a pergunta importante: por que um 10 redondo? Ele é perfeito? Bem pensado? Não tem pontas soltas? Tem alguma reviravolta engenhosa? A arte é bonita? Os personagens são bem estruturados e parecem reais?

Algumas dessas são verdade, mas eu vou contar a verdadeira razão:

Porque eu me diverti.

Muito.

Do começo ao fim.

Cada segundo.

A trama é boa? Sim, mas é bem doida às vezes. “Às vezes” quer dizer “basicamente sempre”.

É bem estruturado, sem pontas soltas? Não exatamente. A coisa vai de um lado pro outro, é meio clichê e tem até um deus ex-machina pirado no final.

Os personagens são bem estruturados? Não sei e não quero saber, só sei que amo todos eles.

Ou seja, foi extremamente viciante. Deve ter algum mecanismo de hipnose em algum lugar desse mangá, porque eu não conseguia parar de ler essa porcaria. Só demorei tanto pra acabar porque (1) medo da tristeza que eu ia sentir quando acabasse e (2) faculdade me mandou ler um livro de 600 páginas no meio e tive que priorizar meu (futuro) diploma.

Xícara que é xícara gosta de se expressar em tópicos, então aqui vão algumas das coisas que vocês vão encontrar nesse mangá, tanto boas quanto ruins, em tópicos:

1 – Uma história maluca, mas emocionante pra poha, com personagens convincentes

Eu ri com a Machika. Sofri com o Rain. Chorei com a Ayla. Me apaixonei pelo Eury. Torci pelos irmãos Evans. Quis dar um murro no Folk. Vaiei a Sharem e depois aplaudi. E no fim até perdoei aquele filho da puta do Yuca (desgraçado). A história anda sempre num ritmo bom, sempre tem coisa acontecendo e nada é arrastado. Tem uma boa mistura entre ação, comédia e lágrimas. Acho que esse mangá dá certo por realmente se esforçar pra ser divertido e emocionante a todo momento, mesmo que isso signifique ser ridículo ou clichê. É difícil de explicar

Eu ia botar uma imagem de vários personagens pra combinar, mas não achei nenhuma boa. Deixo aqui essa ilustração basicamente perfeita do Eury pra deixar registrado que adufhksdjnkjsnskjfd meu Deus como eu amo e odeio esse homem ao mesmo tempo.

E sim, os personagens são bem desenvolvidos (eu tava brincando lá em cima). Tem alguma coisa neles que simplesmente funciona, e você acaba se importando muito com praticamente todos. Na verdade, acho que a grande força da história são os personagens, porque não tem nada melhor que ler sobre pessoas com quem você realmente se importa. Tem vilões realmente maus, vilões que na verdade tinham um bom motivo, grandes heróis e pequenos heróis, gente que não está nem de um lado nem do outro, e tem também pessoas normais, que estão lá no meio por coincidência e contribuem como podem. A única que acaba saindo prejudicada nesse elenco enorme de bons personagens é a coitada da Machika, que às vezes fica parecendo um pouco protagonista de shounen de luta. Isso porque até que tem bastante luta. E olha que é um shoujo.

Também tem monstros e mortes e guerras e experimentos humanos e escravos e armas de destruição em massa em um mundo que já é pós-apocalíptico desde o começo. Lembrando que é um shoujo.

Olha eu gosto dessas ilustrações mas que elas são perturbadoras, isso são.

2 – Um romance com age gap de 610 anos

Eu não preciso listar pra você todas as coisas que podem dar errado em um romance entre uma garota de 14 anos e um imortal de 624 (isso é legal, aliás?), mas ele realmente existe. Surpresos? Não deviam estar, tá escrito “romance” nos gêneros lá em cima. Enfim, deixo vocês mesmos decidirem se funciona ou não, mas eu já disse como os personagens desse mangá podem ser convincentes às vezes, então acredite em mim: você vai acabar torcendo pela felicidade desses dois. Por mais errado que pareça.

Casal unido vai preso unido.

Essa seção na verdade é um aviso pro pessoal que não gosta de age gap não ser pego desprevenido. Sei que tem gente que ama age gap de paixão, tem gente que foge que nem diabo da cruz (eu tentei fazer uma piada aqui, vocês vão entender se lerem). Eu nem amo nem odeio, apesar de que inexplicavelmente os personagens de alguns dos meus shoujos favoritos têm diferenças de idade consideráveis (Dengeki Daisy e Takane to Hana mandam abraços). Sou suspeita pra falar, no mínimo. Se quiserem desistir do mangá por causa disso, eu fico quieta; na verdade, eu não queria fazer essa recomendação no começo porque tinha certeza de que alguém ia cair em cima de mim nessa parte. Mas romance não é o único foco desse mangá, então decidi tentar. E eu já avisei que ele é maluco e estranho mesmo.

Honestamente, além de romance, esse mangá mostra sentimentos humanos de todos os tipos e tamanhos, e gente de todo tipo também. Amigos e inimigos, colegas de trabalho, parceiros (e cúmplices), família, pais e filhos; tem até o bom e velho amor ou ódio pela humanidade como um todo. Aliás, aviso que tem outro romance acontecendo entre os personagens secundários, dessa vez sem age gaps suspeitos. Super clichê, me diverti demais. Recomendo a todos os interessados.

3 – O Rain

A pobre da Machika que me perdoe, afinal ela também é protagonista, mas quem rouba a cena na maior parte do tempo é o Rain. Difícil encontrar alguém mais gente boa que ele, e isso tem uma razão de ser dentro da trama. Alguém me explica o que eu faço quando tenho vontade de proteger esse homem de todos os males do mundo, sendo que ele é imortal, indestrutível, super forte e com certeza não precisa da minha ajuda. Sem falar que ele tem a Machika, guarda-costas suprema.

Imagens exclusivas da Machika metendo porrada geral.

Era só isso mesmo. Leiam pelo Rain, se não por qualquer outra coisa que eu disse.

4 – Uma experiência que não dá pra explicar, tem que sentir

Acho que já ficou bem claro no primeiro desses tópicos o quanto eu me diverti com essa história, e os possíveis motivos disso. Esse é um daqueles casos em que nada do que eu possa falar faz justiça ao que esse mangá é de verdade, e isso não é só um problema meu. Todas as outras reviews que eu li falam mais ou menos as mesmas coisas, e tudo parece meio exagerado demais se você compara com a sinopse meio podre, esquisita e inclusive meio propaganda enganosa (“não era a história de uma caçadora de recompensas atrás do homem imortal procurado em todo o mundo por 600 anos?”). Espero que, se você decidir dar uma chance pra ele, tudo faça mais sentido na sua cabeça.

Duas coisas que eu posso dizer sobre esse mangá com certeza são:

  1. Eu queria muito um anime disso.
  2. Ele nunca vai ganhar um anime.

Tem algumas cenas que ficariam simplesmente lindas animadas, e o ritmo seria muito bom pra uma adaptação em anime (eu acho). Sem falar que tem até umas cenas de luta ótimas, uns cenários fantásticos e até mesmo uns monstros… interessantes, pra dizer o mínimo (final boss, tô olhando pra você).

Porém, mercado é mercado (poha). Mesmo que a indústria de anime seja meio aleatória e imprevisível às vezes, eu duvido muito que esse mangá velho, desconhecido e sem boas vendas tenha alguma chance. Acho mais fácil Ghost Hunt ganhar uma continuação com os arcos finais do que eu ver o Rain apanhando animado e em cores na minha frente (mas eu também gostaria de uma segunda temporada de Ghost Hunt, coisa que provavelmente nunca verei) (sei que isso foi aleatório, perdão).

Isso sem falar que a arte é bem legal. Simples, mas clara e precisa, ficaria muito bem num anime. Me deixa sonhar.

E olha só essa arte que parece um anime antigo, só me resta chorar.

Acho que esse mangá ficaria bem em anime exatamente por causa daquela coisa de “não dá pra contar, tem que sentir” que eu já falei. Toda a história tem uma coisa muito dinâmica, tanto dos temas quanto falas, lutas e acontecimentos; todo o modo como a história avança tem um quê de anime antigo, até meio genérico, só que muito divertido e que funciona muito bem. Enfim, era só isso mesmo que eu queria dizer.

Extras – ou você achava que já tinha acabado?

Já que estamos aqui, vale a pena falar dos extras de Meteor Methuselah; afinal, se você gostar do mangá tanto quanto eu, certeza que vai querer ler tudo mais que estiver disponível dele.

Touhou Shinigami: Meteor Methuselah Gaiden

  • Capítulos: 9 (1 volume – finalizado)
  • Ano: 2004-2007

Links: MangaDex (inglês) | Mangakakalot (inglês) | Mangá Livre (português) | Union Mangás (português)

O primeiro extra é Touhou Shinigami, uma prequel que conta a história de Zol Balfatin, “avô” da Machika. Zol não aparece muito na história principal, então essa aqui é a sua melhor (talvez única) oportunidade de ver que tipo de ser humano ele era de verdade (e descobrir que ele é a segunda melhor pessoa na face da Terra, competindo fortemente pelo primeiro lugar que é do Rain).

Além disso, esse extra responde algumas dúvidas importantíssimas da história principal, como: de onde veio a Machika? Porque o “avô” dela era tão jovem? Qual a verdadeira relação entre Zol e Rain? E a mais importante de todas, qual o verdadeiro nome do médico do submundo e de onde ele veio??? (essa me incomodava demais)

Embora seja uma prequel, eu NÃO recomendo ler Touhou Shinigami antes de Meteor Methuselah; isso porque vai ter algumas referências à história principal que você não vai pegar, ou então pode dar um pouco de spoiler. Recomendo ler depois.

Por outro lado, esse extra foi publicado enquanto a história principal ainda estava sendo serializada, então a opção final é ler durante. Parece que a autora estava trabalhando nele na mesma época do volume 9 de Meteor Methuselah, mas eu admito que é um ponto estranho pra interromper a história e ler o extra. Minha recomendação final, se você insistir em ler no meio, é aproveitar o time skip que acontece entre os volumes 4 e 5 (capítulos 18 e 19) pra parar e ler Touhou Shinigami. Acho que a maior parte das referências já vai ter aparecido nesse ponto, e que me lembre não tem nenhum grande spoiler sobrando pra levar.

Fanbooks 1 e 2

Links: MangaDex (Fanbook 1 – inglês – mesma página da história principal) | Batoto (Fanbook 1 – inglês) | MangaDex (Fanbook 2 – inglês)

Os dois fanbooks/guidebooks de Meteor Methuselah, lançados em 2009 e 2011, têm algumas histórias extras; algumas têm relação com a história principal e outras, com Touhou Shinigami (portanto recomendo ler depois de todo o resto). Tem até uma “versão ensino médio” que começa em um fanbook e termina no outro (acho que isso já fica meio claro com a capa dos dois fanbooks). Eles são um pouco mais difíceis de achar, mas também estão traduzidos (pelo menos em inglês).

Então, acho que acabo aqui? Ficou meio longo no final, isso porque eu disse que queria fazer uma coisa mais curta pra variar.

~Xícara entra de volta no armário da cozinha e desaparece~

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