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Touken Ranbu Megapost – Uma introdução nada breve ao universo dos garotos-espada

Eaê povo, tudo em riba?

Chegou o dia que eu mais temia desde que entrei pra esse blog: vim escrever um post sobre Touken Ranbu.

Pffft, claro que eu escrevi isso porque não sabia como começar o texto. Ignorem meu drama.

Por outro lado, esse era um post que eu realmente não planejava fazer. Escrever sobre Tourabu era, na minha cabeça, complicado por diversos motivos. O principal deles é que esse era um jogo disponível só em japonês, e eu não tava a fim de fazer tutorial para ninguém (até porque já existem vários em inglês, alguns até em português). Outra coisa é que eu não sou exatamente a maior especialista em Touken Ranbu, então o máximo que vai sair daqui são as palavras de uma saniwa de araque que abandona sua honmaru durante 80% do ano e só volta quando tem evento ou pra pegar os brindes de ano-novo (sou uma saniwa desnaturada, eu sei). Então meu plano era no máximo fazer uma recomendação rápida no instagram do blog e deixar vocês se virarem pra correr atrás.

MAS

Tudo mudou quando a nação do fogo atacou numa fatídica terça-feira, 26 de janeiro de 2021, quando saiu esse anúncio aqui:

SIM meus amigos, Touken Ranbu vai ter uma versão em inglês via Johren. Se você tiver um mínimo de interesse em jogar essa joça, eu suplico que você vá lá agora e faça o seu pré-registro. Não só ajuda a mostrar o interesse das pessoas pelo jogo como também vai te dar uns recursos grátis que vão ser úteis depois. Especialmente o koban. Meu Deus, como eu queria 100.000 koban de graça na minha conta em japonês.

Update: o jogo saiu dia 27/04/2021. Divirtam-se.

Dito isso, vamos para o post de verdade. Já deixo avisado que eu não vou fazer um guia do jogo, e sim do universo em geral. Agradecimentos especiais (ou não) para a Clara e a Mih, que entraram com tudo no meu surto de fangirl depois da notícia sobre a versão em inglês e me pediram um guia introdutório pra começarem a se afundar no universo de Tourabu até o jogo sair (querendo ou não, eu sou um pouco senpai nesse quesito; jogo desde 2016). E foi assim que nasceu esse post.

Parte 1 – O que é Touken Ranbu:

Touken Ranbu é um jogo online lançado em 2015 pela DMM (hoje EXNOA) em parceria com a Nitroplus. É meio complicado exatamente definir em que gênero de jogo ele se encaixa, mas acho que gacha é uma definição geral que serve aqui (mesmo não sendo 100% precisa). Além da versão para browser, o app Touken Ranbu Pocket permite que você sincronize a sua conta entre o PC e o celular.

Essa é uma tradução livre minha (e bem malfeita) do parágrafo de introdução à história do jogo, pra vocês terem uma ideia:

O ano é 2205 d.C. Inimigos visando a alteração da história começaram ataques ao passado. “Saniwas” com a missão de proteger a história se juntam aos mais fortes tsukumogami, os “touken danshi”, e rumam para o passado…

“Tá, Xicara, não entendi nada dessa introdução.” Ok, vou fazer a versão mastigada:

  1. Se você sabe alguma coisa de youkais, talvez saiba que tsukumogami são objetos antigos que, de existirem por tanto tempo (geralmente 100 anos), acabam obtendo consciência, uma alma ou um espírito. Ou assim diz a cultura japonesa (então já sabe, se você tem alguma herança de família com mais de 100 anos, bem capaz de você ter um youkai em casa).
  2. Touken Ranbu usa essa crença pra dizer que espadas antigas e famosas na história japonesa, a essa altura, já devem ter desenvolvido uma alma e consciência, e dá a elas forma humana (aliás muitas espadas têm nomes que até parecem um pouco com nomes de pessoas, então isso ajuda). No caso, a forma de caras bonitões, os touken danshi (“rapazes-espada”, abreviado toudan).
  3. O trabalho do jogador, no papel de um saniwa (um tipo de sacerdote xintoísta), é dar vida a essas espadas, criar exércitos e viajar no tempo para derrotar uns monstrinhos de origem parcamente explicada pelo jogo, cujo objetivo maligno aparentemente é alterar grandes eventos do passado. Então parabéns, você acabou de ganhar a habilidade de viagem no tempo e foi nomeado protetor da história-como-a-conhecemos-hoje.

“Putz que premissa podre.” E você esperava o quê, hein? Aliás, eu não admito reclamações sobre a premissa de Tourabu porque vocês sabem muito bem que Kantai Collection existe. Quem é mais podre, o jogo que teve a ideia podre primeiro ou o jogo podre que o imita? (Kancolle veio primeiro, aliás)

(but I digress)

Aliás, os fãs e jogadores de Touken Ranbu são conhecidos como "saniwas".

Esse é um dos antigos vídeos de abertura do jogo (de 2019, especificamente); não é o primeiro e nem o atual, é simplesmente o que eu gosto mais (decidi isso hoje depois de assistir umas comparações). Desde sua criação em 2017, essa abertura teve várias versões diferentes com a mesma música (que aliás se chama Mugen Ranbushou), sendo a última a de 2020, que já tinha um vídeo bem diferente do original. Atualmente, já alteraram a música de abertura para “Anata to watashi to”, e o vídeo é esse aqui:

Eu reclamava muito da abertura original mas parei completamente depois de trocarem para essa nova. Minhas desculpas à Yumi Matsutoya, mas essa música me faz achar que eu estou no funeral dos meus touken danshi e eles tão indo pro céu. Isso é uma coisa séria nesse jogo.

(Aliás, não dá muita bola pros modelos 3D dos personagens que aparecem na abertura. O jogo não tem NADA de 3D.)

Então, o que se faz de verdade nesse jogo?

Essa é minha honmaru. Geralmente meu assistente é o Urashima, mas hoje ele tá liderando a investigação especial então deixei o Mucchan cuidando das coisas. Tô muito feliz com esse yukata que eu consegui com o tíquete de graça de ano-novo. Aliás sim, estou usando plano de fundo de verão mesmo sendo inverno no Japão. Os ADMs do jogo devem estar confusos comigo.

Como todo jogo de gacha, o processo é bem simples:

  1. Você coleciona personagens;
  2. Você usa os personagens pra lutar umas batalhas e eles sobem de nível;
  3. Lutando batalhas mais difíceis, você consegue personagens mais raros e mais fortes pra usar em batalhas ainda mais difíceis;
  4. Repita os passos anteriores.

As batalhas de Tourabu inclusive são automáticas, então o máximo que você faz é organizar um time, mandar ele pra batalha e rezar pro RNGesus (o deus dos geradores aleatórios) te mandar pro caminho certo no mapa (mas não subestime o trabalho de planejamento dos saniwas, é uma tarefa árdua).

Esse é meu time clássico, então dá pra ver que são todas espadas bem fáceis de conseguir. Era o meu time mais forte, mas agora tá todo mundo meio fraco depois do treinamento kiwame (não vou explicar o que é isso, vai procurar guia sozinho HAHA). Aliás não é um time muito balanceado, praticamente só tem uchigatana huhuhu shame on me.

MAS não pense que é só isso que você vai fazer no jogo inteiro. No papel de saniwa, você é encarregado de ser o novo mestre da honmaru de um castelo, o seu quartel-general que é também a casa dos touken danshi com quem você vai trabalhar. Então sim, além das batalhas, você tem que cuidar de expedições em busca de recursos, tratamento dos feridos, forja de novas espadas (o famigerado gacha) e essas coisas, além de poder definir quem vão ser os azarados que vão cuidar da horta e dos estábulos naquele dia (não é brincadeira, isso conta pra aumentar os parâmetros dos seus personagens, eu juro). Se você já está acostumado com jogo de gacha, sabe que todos eles têm essas tarefas secundárias pra cumprir. Nada novo até aqui.

Esses são meus azarados de hoje cuidando das tarefas internas da honmaru. O Kashuu reclamava toda vez que eu mandava ele trabalhar na horta, então eu parei antes que ele tentasse me matar ou coisa assim.

Nota terminológica da Xícara: honmaru é o nome de uma das kuruwa, as muralhas que circulam os castelos japoneses e servem de linha de defesa durante cercos. Especificamente, a honmaru é a muralha mais interna, circulando os aposentos dos moradores do castelo. Depois dela, do lado de fora, vêm a ninomaru e a sannomaru. Dentro da honmaru também pode haver a tenshumaru, muralha que circula o tenshu, a torre de menagem dos castelos, e que é sua última linha de defesa.

Mas talvez o mais característico de Touken Ranbu em relação a outros jogos de gacha é que ele não tem modo história.

Sim, ele tem mapas/níveis que você desbloqueia à medida que vai ficando mais forte, mas não tem uma história fixa pra seguir (aliás os mapas são todos batalhas importantes da história do Japão, por isso são pontuais e sem muita sequência lógica). É nessa hora que você deve estar bem confuso tentando descobrir como diabos você vai entender o que acontece nesse jogo se não tem história fixa.

Por isso, vou contar um segredo. É a grande verdade sobre todos os saniwas:

Fãs de Touken Ranbu vivem de migalhas. O resto eles criam.

Pelos poucos comentários dos toudan durante batalhas ou na honmaru, você deduz a personalidade deles. Às vezes, mandar certos toudan a uma certa batalha faz com que eles conversem sobre uma pessoa ou período histórico que conheceram. Geralmente as conversas são curtas e enigmáticas, e você tem que ir procurar no google pra saber do que exatamente eles estão falando. Se você tiver alguma sorte, talvez eles briguem ou troquem farpas durante essa conversa; aí pelo menos você vai saber quem não se dá bem com quem.

E é isso. Não tem trama, não tem jornada do herói, não tem arco de redenção, não tem clímax e não tem desfecho. O máximo que você consegue são algumas histórias curtas em alguns eventos ou pequenas jornadas individuais de cada toudan quando eles cumprem determinados requisitos de nível. É por isso que existem tantos doujinshis e outros materiais feitos por fãs de Touken Ranbu: eles tentam preencher essas lacunas de informação que o jogo não dá.

Os animes são o máximo que você vai conseguir em termos de história oficial, mas nem mesmo eles são “a verdadeira história” de Tourabu.

Por outro lado, todas as interações entre os personagens de Touken Ranbu têm muita base na história de verdade. Kashuu Kiyomitsu e Yamatonokami Yasusada são amigos e já se conheciam antes porque pertenciam à mesma pessoa, Souji Okita. Todos os Toushirou se consideram irmãos porque foram forjados pela mesma escola de ferreiros, a Awataguchi. Mutsunokami Yoshiyuki carrega uma pistola porque seu mestre original, Ryouma Sakamoto, preferia pistolas a espadas. O mesmo Mutsunokami não se dá bem com Izuminokami Kanesada, que pertenceu a Toshizou Hijikata, porque seus mestres estavam em lados opostos durante a Restauração Meiji. Masamune Date tinha um olho só e fama de ser bom cozinheiro, portanto sua espada, Shokudaikiri Mitsutada, também usa tapa-olho e cozinha bem. Todos esses são exemplos de detalhes históricos incorporados na personalidade dos personagens de Touken Ranbu; querendo ou não, os fãs acabam tendo que ir atrás dessas informações se quiserem entender o pouco de “história” que existe no universo do jogo.

Olha essa habilidade minha gente.

Então, a outra verdade sobre os saniwas é:

Fãs de Touken Ranbu são otakus de história e de espadas.

A primeira parte é bem fácil de entender; eu meio que já era fã de histórias de época antes mesmo de começar a jogar Tourabu (meu vício em Hakuouki se mistura um pouco ao vício em Tourabu feat. período Sengoku). A segunda parte é que é engraçada: Touken Ranbu aparentemente aumentou muito o número de visitantes (especialmente mulheres) em exposições de espadas em museus, além de aumentar o consumo de materiais sobre a história e conservação das espadas japonesas. Os fãs de Touken Ranbu também estão envolvidos em diversas campanhas de arrecadação para manutenção, conservação, criação de réplicas e exposições de espadas famosas. Por enquanto eu só tenho algumas threads de twitter como fonte, mas ao menos a campanha de restauração do Ishikirimaru parece ser verdade, do que eu consegui encontrar no tio google.

Enfim, se você encontrar alguma pessoa doida que não está envolvida com a atividade de forjar espadas, mas por algum motivo sabe exatamente as diferenças de uso e comprimento entre tantous, wakizashis, uchigatanas, tachis e oodachis, além de yaris, naginatas e tsurugis (leia-se: eu, mas eu ainda me confundo com as medidas exatas em centímetros), pode ter quase certeza de que ela é um saniwa. Dos brabos.

Parte 2 – O que Touken Ranbu NÃO É:

Achei que valia a pena fazer essa seção também, mas vai ser rápido (ou pelo menos eu tentei). Basicamente tem duas coisas que Touken Ranbu não é, mas tem muita gente que ainda acha que é:

1. Touken Ranbu não é um otome game

Isso no sentido estrito da palavra, o de “jogo de romance voltado para o público feminino” (hoje em dia os fãs estão bem rigorosos com esse tipo de nomenclatura). Tourabu não tem nenhum tipo de romance, muito menos envolvendo algum personagem e o jogador. O máximo que seus toudans vão fazer é te chamar de “mestre!” com um sorriso e dizer o quanto eles te adoram (nem lembro se algum deles faz isso mesmo, mas enfim).

“Se não é otome game, então é o quê?” Pois bem, o termo correto é joseimuke (literalmente, “voltado para mulheres”). Tem uma porrada de hómi marombado, é óbvio que isso foi feito tendo em mente o público feminino (ok, ou quem goste de homens no geral). Mas é claro que você não precisa ser mulher pra jogar (dãã). Apesar de ter certo público em mente, Tourabu parece ser popular com todo tipo de pessoa (ENTÃO NÃO TENHA MEDO E JUNTE-SE À HORDA DE SANIWAS). Aliás o “saniwa” do jogo não tem gênero nem nenhuma informação pessoal definida.

Sim, o Midare também é homem. Não se deixe enganar. Eu menti quando disse que só tinha hómi marombado nesse jogo.

Claro, como todo joseimuke, os seiyuus e os artistas que fazem os designs dos personagens contam muito. Colecionar todas as imagens e ouvir todas as falas dos toudans é uma coisa importante. Inclusive, a fala mais rara e triste que os personagens podem falar é no momento de sua morte. Sim, se você não cuidar bem das suas espadas e mandar elas feridas em batalha, elas podem se quebrar. Como todo bom jogo de gacha, você pode conseguir outra cópia depois, mas duvido que consiga se livrar da culpa de ter matado um personagem e estar vivendo com uma mera duplicata. Eu tiro o chapéu para os voluntários que quebram suas espadas de propósito só para completar o banco de dados da wiki.

Dito isso, Touken Ranbu é um jogo que mexe com o seu emocional desse jeito: ele faz você se importar com todos os personagens como se eles fossem uma grande família. Claro que você é livre pra se apaixonar pelo toudan que quiser, mas o jogo não tem nenhum mecanismo de romance.

2. Touken Ranbu não é um jogo BL

Já que nenhum personagem vai se apaixonar pelo jogador, a conclusão lógica de alguns de vocês é a de que eles devem se apaixonar entre si. Também não é isso. Eu disse nenhum romance, e eu quis dizer NENHUM romance mesmo.

Mas, como eu também já disse, a produção de fãs de Tourabu é muito forte, e a Regra 34 se aplica a ele como a qualquer outra obra. Eu sugiro que você fique longe da maioria dos doujinshis de Touken Ranbu se essa não for exatamente sua praia. Não é a minha.

Nota terminológica da Xícara 2: Regra 34 - “Se algo existe, existe também pornografia desse algo.” (fonte: TV Tropes) eu jurava que essa regra se chamava 69 mas ok né

Encerro essa seção aqui. Tl;dr: Tourabu não é otome e não é BL. Não tem romance. Tem é drama. Vamos pra parte que importa:

Parte 3 – Fora o jogo, o que mais existe no universo de Touken Ranbu?

Essa é a pergunta que realmente importa nesse post, que afinal é sobre jeitos de se afundar em Touken Ranbu até o jogo em inglês ser lançado.

Leia até o final. Deixei as coisas mais legais pro final (:

Sendo sincera, a minha recomendação é entrar no universo de Touken Ranbu pelo jogo. Não só porque é o jeito mais natural de conhecer os personagens mas também porque as outras mídias são feitas principalmente para os jogadores (então os mangás e animes têm piadas sobre o funcionamento do jogo e coisas assim). Só que, a essa altura, tem quase zero vantagens começar a jogar o original em japonês; só se você quiser estudar a língua ou entrar num servidor mais atualizado e com um catálogo maior de eventos, recursos e personagens (tenho quase certeza que a versão em inglês vai começar pequena e ir expandindo aos poucos, que nem a original) (update, eu tava errada; os dois jogos são exatamente iguais, com os mesmos eventos, campanhas e catálogo).

Uma coisa que você pode fazer antes de jogar é dar uma fuçada na wiki em inglês, a bíblia dos saniwas internacionais (e que provavelmente vai continuar sendo útil até para os novos jogadores). Entre no Discord deles, se quiser. Eu não me preocuparia muito com as mecânicas do jogo por enquanto, isso é problema pra depois. Vá na lista de personagens e comece a escolher seus husbandos. As listas de ilustradores e de dubladores pode te ajudar nisso. Se quiser começar a caçar ilustrações feitas por fãs, faça a festa no Pinterest ou no Pixiv (mas lembre-se da Regra 34; é meu dever te avisar).

Se você tem preguiça de ler mas quer ter uma ideia de como o jogo funciona, também pode ir assistir algumas pessoas jogando Touken Ranbu (vai estar em japonês, mas é uma possibilidade). Não costumo acompanhar muitos canais de saniwas ou coisas assim, então o único que eu posso recomendar é o o Yosui, lorde whale supremo entre os saniwas, criador de estratégias e salvador das nossas pobres almas durante os eventos de investigação especial (R.I.P. carteira do Yosui).

Nota terminológica da Xícara 3 (mas essa vocês já devem saber): whale é o nome dado aos jogadores de gacha que gastam rios de dinheiro real no jogo. Podem ser grandes filhos da mãe que roubam o lugar dos outros no ranking (não é o caso de Tourabu, que não tem ranking) OU anjos enviados do céu como o Yosui, que tanka os eventos antes de todo mundo e faz livestream com estratégias, salvando pobres free players como nós do massacre absoluto. Amém.

Se você está lendo este post do futuro incerto em que a versão em inglês já foi lançada, então não perca tempo: comece pelo jogo. Se você está lendo no triste presente em que eu escrevo, então vamos lá explorar as outras coisas existentes nessa franquia.

(Aliás, basicamente não precisa se preocupar com a possibilidade de esse jogo ser descontinuado no futuro. Já deve ter dado pra perceber até aqui como os saniwas do mundo são uma HORDA INCONTROLÁVEL.)

Mangás

Uma pesquisa rápida pelo MyAnimeList, Baka Updates ou MangaDex vai te mostrar como existem várias adaptações em mangá de Touken Ranbu. PORÉM, uma olhada mais atenta revela que vários deles são doujinshi. Se você me acompanhou direitinho até aqui, já deve ter entendido: ISSO MESMO, REGRA 34. Olha, eu não vou julgar ninguém por ler pornografia, mas eu não recomendo começar Touken Ranbu pela pornografia. Só dizendo.

Apesar da palavra “antologia” ser muito associada a doujinshis (e à Regra 34), no caso de Tourabu, as antologias são aparentemente o jeito mais seguro de ler os mangás. Elas incluem histórias curtas, cômicas e/ou fofinhas, criadas por mangakas famosos ou não (especialmente mulheres). Eu confesso que nunca tinha lido nenhuma dessas antologias, então peguei a Makuaigeki ao acaso pra ver como era, e o resultado é que eu ri pra burro já na primeira história. Não sei dizer se todas as outras são no mesmo estilo, mas se forem eu recomendo demais (talvez você não ria muito das piadas dos dados ou das batalhas noturnas sem entender como o jogo funciona, mas não custa tentar).

Outra coisa que você pode fazer é ler a adaptação em mangá do anime Katsugeki/Touken Ranbu. Mais pra frente eu falo desse anime.

Músicas (??)

Falando em doujin, dá pra encontrar várias outras coisas legais feitas por fãs de Touken Ranbu, e dessa vez eu não estou falando de imagens: estou falando de músicas. Sim, Tourabu tem sua própria trilha sonora (que também vale a pena ouvir; aliás ela tem grande participação da Akiko Shikata), mas também é possível encontrar álbuns feitos por compositores independentes com inspiração em Touken Ranbu. Vou ser honesta e dizer que, dessa categoria, só conheço a série de álbuns do PolyphonicBranch em colaboração com vários utaites, mas que eles são muito bons, isso eles são. O meu álbum favorito de todos eles, que eu já ouvi várias vezes a ponto de decorar, é Souen Aika, mas também existem Hyakka Kenran, Yushuu no Toki e Battou Ryouran. Os links que eu coloquei são todos pra crossfade, mas dá pra encontrar esses álbuns inteiros espalhados pela internet, até no Souncloud.

Ainda no assunto de músicas, demorei um pouco pra lembrar também desse arranjo da música de fundo principal de Tourabu feito pela Yu Hatanaka com a GUMI e o VY2. Resquícios da minha adolescência regada a vocaloid.

Diferente dos álbuns do PolyphonicBranch, esse arranjo usa diretamente a melodia oficial do jogo (você logo vai acostumar com ela caso vire um saniwa). Caso você seja do tipo que não gosta muito de vocaloid, tem um cover muito bom aqui cantado pelo Sakuya e pelo Moose.

Musicais, stage plays e o filme

É isso mesmo que você leu. Touken Ranbu tem uma série de musicais e uma de peças de teatro. Com pessoas de verdade. E perucas.

Confesso que musicais não são muito minha coisa, então nunca cheguei a assistir nenhum deles. O máximo que eu vi foi a participação especial que os atores fizeram no Kouhaku Utagassen de 2018. Mas, pelo que parece, não é tão difícil assim achar alguns deles na internet. Tem até vários álbuns dos musicais no Spotify. Vou deixar o trabalho de procurar pra vocês MUAHAHA

Por último existe também o filme de 2019. Com pessoas. Eu ainda não vi por pura preguiça, mas talvez veja em breve. Vou deixar reservado aqui um espaço pra colocar minha opinião depois que assistir.

[reservado para a opinião da Xícara que ninguém pediu]

O filme é um pouco mais difícil de achar na internet, mas não é impossível (envolve enviar mensagem para pessoas do tumblr pedindo link pra raw; não posso compartilhar aqui porque essa é uma das exigências da pessoa). Boa sorte MUAHAHAHAHA (de novo)

Chegamos ao gran finale. É isso que vocês estavam esperando. Provavelmente.

Animes

Touken Ranbu tem o privilégio de ter duas séries diferentes de anime que foram anunciadas ao mesmo tempo lá em 2016; inclusive foi com esse anúncio que eu conheci a série e comecei a jogar. Depois do jogo, provavelmente os animes são a porta de entrada mais fácil para Tourabu, mas é difícil dizer se você vai gostar deles sem saber de nada antes. Talvez seja um pouco mais fácil depois dessa minha introdução, mas isso pode ser só presunção minha.

Touken Ranbu: Hanamaru

2016-2018 | 2 temporadas (12/12 episódios) | Doga Kobo | Slice-of-life, comédia, drama, fantasia, histórico | Crunchyroll | Funimation

Update: parece que Hanamaru vai ganhar uma trilogia de filmes em 2022.

A premissa de Hanamaru é cobrir as famigeradas lacunas da história na série com cenas cotidianas. Tem algumas batalhas no meio, vou ser sincera. Mas a maior parte do tempo é um amontoado de slice-of-life. Faxina. Piqueniques. Trabalho na horta. Amizades. Piadinhas. Mitsutada cozinhando. Hasebe workaholic tentando manter um mínimo de ordem na honmaru. Isso é um resumo de Hanamaru. Ou pelo menos seria. Tenho que admitir que não acabei de ver ainda (são duas temporadas, me dá uma folga). A ideia é parecida com as histórias curtas dos mangás de antologia, mas o anime é oficial e todos os episódios se passam na mesma honmaru.

Apesar de não focar em personagem nenhum especificamente, em geral se considera que os personagens principais são o Kashuu Kiyomitsu e o Yamatonokami Yasusada (sim, os da imagem). Parece que, à medida que novos personagens foram entrando no jogo, eles também foram adicionados no anime; por isso, Hanamaru tem muito mais personagens que o segundo anime de Tourabu, que é… (rufem os tambores):

Katsugeki/Touken Ranbu

2017 | 13 episódios | ufotable | Ação, drama, fantasia, histórico, samurai | Crunchyroll

Vou aproveitar a oportunidade pra ser uma doida entusiasmada: eu não tenho palavras pra descrever como eu gosto de Katsugeki. É só isso mesmo.

Como o próprio nome diz, Katsugeki é o “filme de ação” de Touken Ranbu. Ele foca em uma missão específica e em lutas, não no cotidiano dos personagens. Como ele pelo menos tem uma história pra ser seguida, é o anime que eu recomendo para iniciantes. Isso não garante que qualquer um vá gostar, claro, mas pelo menos a animação é boa (é da ufotable, afinal; se alguém falar mal eu chuto a bunda dos hipócritas que pagam pau pra Kimetsu).

Como a imagem é auto-explicativa de novo, dessa vez os personagens principais são Kane-san e Mucchan… *caham*, Izuminokami Kanesada e Mutsunokami Yoshiyuki (sim, é normal entre os fãs chamar os personagens por apelidos); o Yamanbagiri Kunihiro também é um dos principais, apesar de não aparecer no pôster do anime. Também são importantes o Yagen Toushirou, o Tonbokiri e o Tsurumaru Kuninaga; se você percebeu que são seis principais porque seis é o número de espadas por time no jogo, então ponto pra você.

Em termos de contexto histórico, Katsugeki acontece durante a Revolução Meiji; ajuda se você souber quem são Ryouma Sakamoto e Hijikata Toshizou. E o mais maluco de tudo é que Katsugeki tem oficialmente um Saniwa:

DIGAM OI PRO MENINO, TECNICAMENTE NÓS TODOS SOMOS ELE

“Como assimmmmmmm??? Não era pro saniwa ser o jogador??? Ele não devia aparecer!!!!” Pois é, em Hanamaru o saniwa nunca aparece, mas em Katsugeki, sim. Eu tenho uma teoria doida pra isso então vocês podem ignorar, mas na minha cabeça cada uma das mídias de Tourabu se passa numa honmaru diferente, com um mestre diferente (inclusive, a maioria deles deixa isso claro bem no começo, falando que é a “história de uma certa honmaru”). Katsugeki é em uma honmaru, Hanamaru é em outra, as histórias dos mangás e dos musicais são em outras, e todas elas são diferentes da sua honmaru como jogador. Todas as histórias são válidas, mas nenhuma delas é 100% canon e nenhuma anula a outra, já que o jogo não tem trama fixa. É um universo que suporta realidades paralelas desde o princípio.

Agora eu já comecei a viajar muito então vou parar por aqui. Assistam Katsugeki. Até eu aproveitei a oportunidade pra assistir de novo (eu, que não tenho tempo nem de ver coisa nova, imagina rever).

Esse é o Konnosuke, mascote de Touken Ranbu. Se alguém me falar que não gosta dele, eu choro.

Chegamos ao fim, então eu decidi fazer um brinde:

“Xícara-sensei, você tem mais recomendações de jogos parecidos?”

Gostou de Touken Ranbu e quer mais franquias pra alimentar seu vício? Não satisfeito com a quantidade de husbandos que já arranjou e quer arranjar ainda mais? Veio ao lugar certo! Segundo a Clara, minha missão de vida é arrastar todo mundo pra dentro de um otome game.

Bom, ela tá certa.

Tenho duas recomendações e uma menção honrosa:

Bungou to Alchemist

Bunal, também da DMM, tem uma mecânica bem parecida com Tourabu. No lugar de espadas, temos grandes escritores da literatura japonesa moderna. É bem prático se, por exemplo, você precisa decorar os nomes dos manolos pra sua aula de literatura japonesa *coffcofffff*

Juro que Bunal não tem nada a ver com Bungou Stray Dogs, mas você vai ver que alguns nomes se repetem por motivos óbvios. O que eles já fizeram uma vez foi uma colaboração com Fullmetal Alchemist (tenho as cartas comemorativas até hoje). Tem também um anime que estreou em 2020, mas que eu esqueci de assistir. Ops né.

Ao contrário do Tourabu japonês, Bunal não precisa de VPN pra ser acessado do exterior (apesar de sim, estar 100% em japonês). Vou deixar a wiki aqui para os interessados mas, se você já souber jogar Tourabu, Bunal vai ser bem fácil de aprender.

Ken ga Toki

Ken ga Toki é mais um gacha de verdade que um jogo estilo Touken Ranbu, mas achei que a indicação era válida. Confesso que só estou jogando ele por um mês mais ou menos, mas já estou levemente apaixonada por esse jogo (e pelo Mitsukuni) (pelo Aonami-sensei também). Caso o nome pareça familiar, explico que Ken ga Toki (da Rejet em parceria com a Xiimoon) é o spin-off mobage de Ken ga Kimi, um famoso otome game considerado por muitos um dos melhores otome games existentes na face da Terra. Eu ainda não joguei Ken ga Kimi porque ele custa noventa e quatro fucking reais na Steam (e o fandisk custa outros noventa e quatro fucking reais), e meu japonês não é tão bom assim pra gastar 94 paus num jogo que nem tem tradução (tem fãs trabalhando em uma atualmente, até onde eu sei). Então, por enquanto, eu choro e me vicio em Ken ga Toki.

Em sua defesa, Ken ga Toki é lindo. Os personagens são legais. Até a protagonista não é nada má. A arte e a dublagem são nível profissional extremo. O jogo pega MUITO leve com os free players e o gacha não é tão maldoso assim. Ele não chega a ser um otome game (é um gacha, afinal), mas tem alguns sistemas de amizade e intimidade com os personagens (masculinos em sua maioria, mas não exclusivamente), além de ter muitas histórias extras e paralelas pra desbloquear. Se eu pudesse, recomendava esse jogo pra Deus e o mundo.

Por que eu não faço isso então? Porque essa merda tá em japonês. A wiki em inglês não tem quase nada. Parece que ninguém joga, ninguém conhece e ninguém liga. Tenho medo que seja descontinuado algum dia (espero que não; tem até uma versão em chinês e espero que a fanbase de lá seja grande).

Então, se você entende japonês ou chinês, ou então reuniu coragem suficiente pra tacar a wiki japonesa inteira no google tradutor, eu sugiro Ken ga Toki. Dá pra baixar pelo QooApp (japonês/chinês). Aliás, eu queria agradecer ao gacha de natal do QooApp por me informar que esse jogo existe.

Ok, parei.

Por último, eu queria só falar da menção honrosa. Esse seria o espaço em que eu recomendaria Icchibanketsu, o terceiro grande jogo da tríade suprema da DMM (dessa vez em parceria com a Rejet). Eu demorei muito pra começar a jogar Icchibanketsu porque minha internet era lenta e ele é bem mais pesado que Tourabu ou Bunal. Finalmente comecei no fim do ano passado, e tudo ia bem até ele receber o temido aviso de término de serviço. Então é isso. Icchibanketsu não existe mais. Acabou agora em janeiro. R.I.P. Icchibanketsu.

Outra menção honrosa que eu poderia dar é Otogi Spirit Agents, da Mitama Games, sucessor espiritual do Ayakashi Ghost Guild (da infame Zynga). Eu investi minha alma e anos da minha vida nesses dois jogos, mas os dois já foram pro saco. Os servidores de Otogi ainda estão de pé, se alguém quiser passar algum tempo nele, mas as atualizações já foram suspensas e atualmente ele só repete eventos antigos. Eu não consigo mais nem abrir o aplicativo sem chorar um pouco. Toma ele aqui: Android/iOS.

Então, o que vocês aprenderam nesse post é que a Xícara está afundada em mais jogos do que ela consegue administrar. E eu só falei dos gacha e nem mencionei os de ritmo. É a mais pura verdade.

~Xícara entra de volta no armário da cozinha e desaparece~

3 comentários em “Touken Ranbu Megapost – Uma introdução nada breve ao universo dos garotos-espada”

  1. Meu deus, que Hype pra jogar Tourabu depois de anos querendo entender do que se tratava! kkkkkkk
    Obrigada por mais um post incrível, Xícara ❤

    Curtido por 1 pessoa

    1. Sempre feliz em ser útil espalhando vícios por aí 👀
      Eu é que agradeço pelo incentivo pra escrever esse post que eu não pretendia. Eu precisava disso e não sabia HAUSHUASHUAH

      Curtido por 1 pessoa

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