IMAWA NO KUNI NO ALICE – Em terra de louco, quem tem um neurônio é rei

Eaê povo, tudo em riba?

Em primeiro lugar, eu quero me desculpar pelo subtítulo do post. Claramente eu não tenho muita criatividade, e de vez em quando sai umas monstruosidades assim (mas eu tô rindo do mesmo jeito huehue).

Hoje eu mais uma vez começo com uma notícia, e dessa vez não é uma notícia atrasada em um ano que nem no meu post de Lessa. Outro dia, anunciaram que a Netflix vai lançar uma adaptação em live-action do mangá Imawa no Kuni no Alice (também chamado Alice in Borderland), que eu coincidentemente li no fim do ano passado. A série está marcada pra sair em 2020, e tem Shinsuke Satou como diretor, Yoshiki Watabe e Yasuko Kuramitsu como roteiristas. A produção é da Robot Communications. Anúncio aqui no MAL, e aqui no Anime News Network.

Imawa é um daqueles mangás obscuros com nota alta no MAL que, mesmo que você pergunte pra aquele seu amiguinho otaku que manja dos paranauê underground, dificilmente vai achar alguém que conheça (falo por experiência própria – ok, você pode até conhecer, mas tem que admitir que é menos famoso do que poderia ser). Além disso, ele é meio violento e não dá pra sair recomendando pra todo mundo. Exatamente por isso, eu fiquei ainda mais surpresa quando decidiram reviver essa coisa e fazer uma série, principalmente por eu ter lido faz tão pouco tempo. Além do mais, eu gostei bastante desse mangá. Vocês podem imaginar que eu dei um grito com a notícia.

Atualmente meu meme favorito em toda a internet

Um anime seria o ideal, mas série no Netflix tem suas vantagens. A principal delas é que vai virar uma coisa internacional, e com menos preconceito por parte de quem “não gosta de desenho”. Por isso, eu vou ter a chance de encher o saco de simplesmente todo mundo que eu conheço pra eles assistirem o troço. Minha hora e vez está chegando.

Até lá, ainda dá tempo de você tentar ler o mangá original, então vamo lá:

Nota: eu já avisei que é um mangá meio violento, mas não custa avisar de novo. Tenham isso em mente.

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Informações básicas:

  • Outros títulos: Alice in Borderland, Imawa no Kuni no Arisu
  • Autor: Haro Aso
  • Serialização: Shounen Sunday Super e Weekly Shounen Sunday
  • Período de publicação: novembro de 2010 a março de 2016
  • Volumes: 18 (87 capítulos)
  • Gêneros: ação, horror, sobrenatural, psicológico; shounen (tá mais pra seinen pra mim)

Sinopse:

Ryouhei Arisu é um estudante do ensino médio (sim, mais um) sem muitos planos para o futuro. Uma noite, ele e dois amigos vêem uma explosão de fogos de artifício no céu, e acabam transportados para uma Tóquio meio pós-apocalíptica do nada. Nesse lugar, eles são forçados a participar toda noite de jogos possivelmente mortais para poder estender o seu tempo de permanência na cidade, sem saber como vieram parar ali e como vão poder sair. Apesar do medo e da incerteza, Ryouhei começa a se sentir vivo nesse lugar completamente diferente da sua vidinha chata de sempre.

Ok, plot genérico pra dizer o mínimo. Jogo de sobrevivência básico, possível battle royale, enigmas de lógica episódicos pra manter o interesse do público, mas que perdem a graça depois de ficarem muito complexos ou muito simples. Várias mortes de personagens importantes e também secundários, e milhares de reflexões sobre “o sentido da vida” e “a essência maligna do ser humano”. Certeza que você já viu isso em algum lugar. No máximo é aquele tipo de série que você lê tudo de uma vez quando estiver entediado.

Qual é, então, a graça de Imawa?

Primeiro eu preciso avisar que eu sou tendenciosa, porque eu sou a louca dos puzzles, enigmas e escape games. Adoro essas bostas do fundo da minha alma (mesmo que não seja boa neles e raramente consiga achar uma solução antes dos personagens). Ainda não tive tempo de acabar meu post sobre Zero Escape, que é simplesmente o suprassumo dos escape games misturados com ficção científica, paranormalidade e teorias da conspiração, mas quando eu acabar vocês vão poder ver o quanto eu gosto desse tipo de coisa. Então pode ter certeza que os enigmas episódicos de Imawa não me afastaram, e sim foram exatamente o motivo de eu ter começado a ler.

Mas pra ser justa, os “jogos” de Imawa são bem planejados e não ficam tediosos. Isso porque eles variam muito, e não são só jogos de lógica simples e pura. Temos desde mahjong, apostas, caça às bruxas, quizzes aleatórios até um pega-pega com uma metralhadora. Alguns são simples jogos de sobrevivência sem as regras muito bem explicadas, outros requerem estratégia. Uns exigem que um participante mate todos os outros, e outros pedem cooperação. Eu diria que você vai continuar bem entretido até o final, mesmo que alguns arcos sejam naturalmente melhores que outros.

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Parabéns, consegui achar uma série mais difícil de arranjar imagem decente que Lessa. Admire a cena aleatória do OVA que eu tive que usar porque era a única que prestava um pouco

Já que estamos aqui, vamos explicar a classificação definida para os jogos: cada um deles recebe o valor de uma carta de baralho, sendo que:

  • ♠ habilidade física

  • ♢ lógica

  • ♣ uma mistura dos dois anteriores/cooperação entre os participantes

  • ♡ psicológico

O número das cartas representa a dificuldade do jogo: A, 2, 3 etc são jogos fáceis, enquanto os números mais próximos de 10 são sadismo puro (J, Q e K são casos especiais dos quais eu não posso falar sem dar spoiler). Isso é só a minha explicação básica pra você entender como funciona a cabeça desse mangá, o resto vai sendo explicado à medida que você vai lendo. Mas assim, se você não gosta muito desse tipo de história, eu duvido que Imawa vá te fazer mudar de ideia. É uma história boa, mas ela não faz milagre.

Você pode já ter percebido que esse é um daqueles mangás com simbolismo de Alice no País das Maravilhas, talvez pelo título, talvez pelos naipes de baralho, ou ainda pelo sobrenome do protagonista. Não me pergunte por que os japoneses são tão viciados nesse livro, mas é isso que acontece. Imawa não é o maior e provavelmente nem o melhor quando se trata de mangás inspirados em Alice (nenhum conseguiu superar Pandora Hearts na minha opinião), e eu diria que aqui as referências acontecem mais num nível estético, e não realmente importando para o desfecho da trama.

Essa edição vinha com um baralho de Imawa de brinde, eu tô gritando

Mas estávamos falando dos pontos fortes de Imawa. Os arcos baseados em enigmas são um deles, mas isso se você gostar desse tipo de coisa. Que tal as reflexões sobre “a natureza vil da humanidade” etc etc? Bom, esse já é um lugar comum em battle royales e jogos de sobrevivência da vida, e eu te garanto que não vai ter muita coisa nova por aqui. Naturalmente tem personagens íntegros, personagens mistos e personagens que você tem vontade de cavar um buraco até o inferno e jogar lá dentro. Normal até aí.

E agora nós tocamos no ponto que eu acho importante, que são os personagens em si. Já é meio subentendido que você não pode se apegar muito quando tem essa possibilidade real de vários deles serem exterminados no meio do caminho. Só que você se apega. Seria mais fácil se a maioria deles fosse uns chatos que você não aguenta mais e até fica feliz de ver morrer, mas acontece que aqui eles não são. Talvez porque eles sejam bem construídos, talvez porque não fiquem o tempo todo tomando decisões idiotas, de repente você se vê torcendo até por um sujeito pelo qual não esperava ter simpatia nenhuma.

Além do mais, quem ganha o meu prêmio de melhor personagem é, surpreendentemente, o próprio protagonista. Convenhamos, é difícil achar um personagem principal de shounen que não seja irritante, ou no mínimo overpowered (no sentido de ele ser a “única pessoa no mundo inteiro que tem poder suficiente pra derrotar o vilão tal etc”). No caso do Ryouhei, por outro lado, dá pra ver claramente que ele depende muito de sorte e da ajuda de outras pessoas, e que não é um herói o tempo inteiro. Mesmo assim, ele tem os seus momentos tanto de fraqueza quanto de genialidade, é um cara legal e se esforça pra fazer o que precisa ser feito (na maior parte do tempo, pelo menos). E no final é isso que importa.

Claro, o Ryouhei ainda é o protagonista e tem que fazer jus a esse título, mas o fato é que ele é bom em algumas coisas e não em outras. Daí os outros personagens são bons em coisas diferentes e conquistam as vitórias deles, e assim o mundo roda. A coisa é bem balanceada e cada um ganha os seus cinco minutos de fama. Enfim, saiba que você vai ter gente suficiente por quem torcer nessa história (e também alguns que vai querer enforcar no final, mas aí é outra coisa).

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(Antes que alguém se pergunte se o nome dele é “Alice”, eu respondo: não, o sobrenome dele é que é “Arisu” (有栖). O Jisho registra “Arisu” como um nome/sobrenome realmente existente, mas eu não tenho fontes melhores que essa.)

Vai ter alguma resposta final pra pergunta de “qual o sentido da vida”? Sei lá. Aí é com você. A parte das reflexões sempre depende de cada um que lê. Depende muito do que você entender do final da história, que parece ter reações mistas entre os leitores: tem gente que achou muito bom e gente que detestou. Eu pessoalmente acho que foi de boas e que fez sentido. Gostando ou não, pode ter certeza que a verdade completa da história você só vai saber no final, e que eles fazem um baita suspense até chegar lá.

O que mais falta pra falar desse mangá? Ah certo, que eu gosto da arte. Especialmente das capas.

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Queria colocar várias mas a primeira e a última já servem. Caso queira ver, estão todas aqui.

Bom, a notícia ruim que sempre acompanha costuma ser a mesma: só existe tradução em inglês. Não duvido que depois de sair a série alguém não decida acabar de traduzir em português, então reze pra ela fazer sucesso. Por enquanto, têm só três capítulos em português, então deve dar pra entender pelo menos o comecinho da história (o projeto era do Ghost Scans, que pelo jeito nem tem mais site, então só dá pra achar em terceiros: aqui, aqui ou aqui). A tradução em inglês está no Manga Rock, no MangaDex ou  no Kissmanga, que são os lugares onde eu achei ela mais completa. Apesar de o MAL registrar um total de 87 capítulos, eu contei mais de 90 nesses sites, já que eles têm todas as seis histórias extras no meio. Apesar de serem histórias extras, é uma boa ideia ler na ordem em que elas estão dispostas, no meio da história principal mesmo, porque algumas coisas vão fazer mais sentido no final.

O OVA

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Capas especiais dos volumes que vieram com OVA

  • Episódios: 3
  • Estúdios: Silver Link., Connect
  • Ano: 2014 -2015
  • Duração: 23 minutos por episódio

Em 2014, Imawa ganhou um OVA de três episódios. A parte boa é que o Hacchi Fansub fez ele inteirinho em português, então quem quiser dar uma olhada no começo da história também pode tentar por aqui. Com toda a honestidade: eu não vi ele inteiro (incrível como eu tenho a capacidade de não conseguir terminar um OVA de três episódios, meu Deus ksddkjdskdjf), mas O RYOUHEI É O YOSHIMASA HOSOYA ENTÃO VALE A PENA (tem o Takahiro Sakurai também; se tivesse virado um anime inteiro eu tava pleníssima na vida).

O spin-off: Imawa no Michi no Alice

Imagem meio bosta, mas ou era essa ou a imagem da Alice pelada, e eu não queria causar má impressão

  • Outros títulos: Alice on Border Road, Imawa no Michi no Arisu
  • Autores: Haro Aso (história), Takayoshi Kuroda (arte)
  • Volumes: 8 (31 capítulos)
  • Serialização: Sunday Gene-X
  • Período de publicação: agosto de 2015 a fevereiro de 2018
  • Gêneros: ação, horror, sobrenatural, psicológico; seinen

Só pra deixar o post completo, vou deixar avisado que Imawa tem também esse spin-off, que tem outros personagens e um cenário um tanto diferente. Porém, eu não gostei tanto dele quanto da série principal, tanto que nem tive saco de acabar de ler ainda (então talvez ainda melhore no final, não sei). Ele não tem arcos bem definidos e nem jogos como no original. O ilustrador também é diferente e sei lá, não me entendi muito bem com a arte dele. Mas principalmente, os personagens não me inspiraram tanta simpatia quanto os da outra série, nem os secundários e nem a protagonista. Mil desculpas a Alice Kojima, mas ela não tem nem metade do carisma do Ryouhei. Os outros também são uns chatos e eu quero que a maioria se exploda. É isso.

A tradução em inglês está completa no Manga Rock, no Kissmanga ou no MangaDex.

Bom, começamos falando da adaptação em live-action, mas a verdade é que o anúncio acabou de sair e não tem muito que a gente possa prever dele ainda. Com a fama que a Netflix tem de estragar todas as adaptações (oi Death Note), até que dá um certo medo. As reações à notícia foram várias, mas muita gente concorda que essa série tem potencial se for feita direito. Eu espero que sim.

Inclusive, aparentemente o Shinsuke Satou dirigiu também as adaptações de Gantz, I Am a Hero, Bleach, Inuyashiki, Library Wars e Kingdom, sem falar de um Death Note. De todos esses eu só vi Bleach, e posso dizer que é uma adaptação… complicada, mas que não me faz perder completamente as esperanças.

Tá, vou aproveitar e deixar um parágrafo da minha opinião sobre o live-action de Bleach, já que eu não pretendo fazer um post separado só pra isso (assisti faz um tempo já então tenham paciência):

Realmente bem variável. Tinha uns momentos maravilhosos e outros que eu só queria entender como alguém consegue estragar um filme a esse ponto. O Ichigo tava ok, a Rukia tava surpreendentemente melhor que o esperado, o Renji tava estranho e o Miyavi como Byakuya de dreadlock eu não entendi até hoje mas achei legal. A sequência de abertura é linda e a trilha sonora eu ainda ouço de vez em quando; inclusive foi com esse filme que eu comecei a ouvir o [ALEXANDROS]. Tinha bastante daquela aura fodástica que Bleach tinha no começo, e depois vai ladeira abaixo com as lutas sem sentido; OU SEJA, tá bem parecido com o que aconteceu com o mangá. Vale a pena no geral.

Spoiler: aquela parte do final que o Ichigo apanha, apanha e não morre conseguiu ficar mais longa e dolorosa que a cena de morte do Nicolas Cage naquele filme que ele é um cavaleiro templário na China (?). Muito bom, 10/10 estrelas.

Fim da minha digressão sobre Bleach.

Tá, será que a Xícara começou a enrolar porque não sabe mais o que falar? Sim, óbvio. Não tem absolutamente nada mais que eu possa fazer além de rezar que a tal da série fique boa e que não estraguem um mangá que eu gosto. É isso que acontece quando eu decido escrever na base do entusiasmo e sem saber direito o que eu ia falar (reparem que eu nem coloquei imagem direito no post).

E é isso. Fiquem com essa recomendação, e espero ter arrastado mais gente pra expectativa da adaptação.

(P.S.: Se alguém quiser saber o que significa “imawa”: aqui.)

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OBJECTION!!! (não, pera, errei de série)

~Xícara entra de volta no armário da cozinha e desaparece~

 

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