CHANG GE XING – Um objetivo, vários caminhos

Eaê povo, tudo em riba?

Voltei aqui hoje para arrastá-los mais uma vez para o Mágico Mundo de Xícara (TM).

Já que da última vez eu me contive e fiz só uma indicação normal de Uchuu Kyoudai, hoje vamos complicar as coisas um pouco. A minha indicação é um manhua chamado Chang Ge Xing, também muito conhecido como Song of the Long March.

 “Mas que desgraça é um manhua?”

BOA PERGUNTA meu caro otakinho confuso. A resposta é bem simples:

Manhua é que nem mangá, só que chinês.

Em resumo, quadrinhos escritos em chinês na China/Taiwan/Hong Kong são manhuas. Sendo a China o país fechado que é, eu fico até meio surpresa de essas obras conseguirem chegar até nós, meros ocidentais. Então vamos só considerar que temos sorte.

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Alguns manhuas que você talvez conheça, em nenhuma ordem específica de popularidade ou o que seja e que eu definitivamente não peguei do top 50 do MAL: Feng Shen Ji, Doupo Cangqiong, The Ravages of Time, Panlong, Scarlet Palace e Rakshasa Street (S2)

Antes de começar esse post, eu TENHO que dar dois avisos:

  1. Eu não falo mandarim, sei no máximo umas curiosidades aleatórias sobre gramática e o funcionamento interno do chinês. Ao contrário de uma recomendação normal de anime/mangá, nesse caso eu tive que me basear inteiramente nas traduções de outras pessoas (que não são perfeitas e não sei se estão me passando a perna), no bom e velho Google Tradutor (com prudência), no meu conhecimento de japonês (a China não é tão fechada em relação ao Japão quanto é com a gente) e principalmente em um pouco de bom senso.
  2. Todos os nomes chineses deste post estão na ordem sobrenome-prenomeAlém do mais, segundo a Wikipédia, prenomes chineses dissilábicos devem ser romanizados juntos (perdoe os termos técnicos); ou seja, o nome da personagem principal deve ser escrito como Li Changge (sendo Li o sobrenome e Changge, o prenome). PORÉM, por diversos motivos (talvez por conta do título), ela é muito mais conhecida entre os fãs como Chang Ge. É o único nome nesse post que eu vou escrever “errado” de propósito.

Depois de escrever, percebi que esse post ficou muito mais com cara de análise que de indicação. Mesmo assim, eu me segurei nos spoilers, então encare como uma análise um pouco mais profunda, mas ainda voltada para quem não conhece. Sem mais delongas, vamos a essa obra-prima de perfeição absoluta (nem tanto mas já deu pra entender).

Informações técnicas:
  • Também conhecido como: Song of the Long March, Choukakou, 長歌行, 长歌行
  • Autora: Xia Da
  • Status: 61 capítulos/11 volumes na China (em hiato)
  • Período de publicação: Fevereiro de 2011 – presente?
  • Gêneros: Ação, aventura, histórico, drama, gender bender, tragédia (jura?); seinen

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Sinopse:

Dinastia Tang, ano de 626. O príncipe Li Shimin arma uma emboscada e assassina seu irmão, o príncipe herdeiro Li Jiancheng, e assim se torna o novo imperador. Como parte dos procedimentos para sua coroação, todos os herdeiros de Li Jiancheng são executados, com exceção da sua filha mais velha, Chang Ge, que sobrevive e consegue se esconder. Sozinha e disfarçada de homem, Chang Ge deixa a capital, Chang’an, em busca de meios de se vingar do tio, o assassino da sua família.


Só com essa sinopse, eu tenho quase certeza que você já deve ter pensado numas duas coisas:

Quanto à primeira, eu tenho a obrigação de avisar que não tem nada a ver. Só porque estamos na China e a protagonista é uma mulher disfarçada de homem, não quer dizer que é a mesma coisa. Mulan é um soldado, Chang Ge é uma estrategista. O papel que elas desempenham é essencialmente diferente. Especialmente se só o que você sabe da Mulan é o filme da Disney, não espere nada parecido.

Agora, quanto à segunda, eu não tenho muitos argumentos contra. Estamos num blog em que vários dos membros têm em casa um altar pra Akatsuki no Yona (incluindo eu), então é quase impossível não pensar nela. Eu tenho que admitir que a situação da Chang Ge e da Yona é semelhante e que elas se deparam com alguns dilemas bem parecidos em alguns pontos, mas meu objetivo aqui é te convencer que elas são diferentes o suficiente pra que valha a pena ler. Eu ressaltaria a forma como as duas histórias são conduzidas e a atmosfera geral, sem falar que cada uma tem seus próprios méritos. Mas vou deixar vocês mesmos decidirem se o caminho que essas duas princesas escolheram foi parecido ou não.


Já que estamos falando da protagonista, vamos começar por ela.

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Vê só o olhar de psicopata dessa menina

A primeira coisa que vocês precisam saber sobre Li Chang Ge é que ela é louca. Ou melhor, começa a história enlouquecida pela vingança. E isso não quer dizer que ela vai sair por aí destruindo tudo, e sim que todo e qualquer movimento dela vai ser frio, preciso e calculado com um único objetivo em mente, de uma forma quase doentia; em resumo, ela vai dar uma de atriz e se meter em várias gambiarras pra chegar onde ela quiser. Na verdade, o manhua vai passar um bom tempo tentando te convencer que a Chang Ge é o Saitama mais qualificada que o próprio imperador pra mandar nessa poha toda, que a fúria dela é um grande meteoro prestes a cair em cima do palácio e que absolutamente nada pode impedi-la (tem até uma profecia). Talvez isso até que seja verdade. De qualquer forma, eu diria que você vai sair bem convencido de que ela sabe muito bem o que ela quer.

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E ela deixa bem claro pra quem quiser ouvir

Por esse motivo, talvez você comece a ler pensando que vai ser uma longa e penosa história de vingança (oi 91 Days), mas é aí que o lado mais Yona da história começa a aflorar. Em outras palavras, nem tudo nesse mundo é vingança. Ou ainda, muitas águas ainda vão rolar. Essa é definitivamente mais uma história de crescimento pessoal que uma história de vingança (perdão se você acha que isso é um spoiler).


Vou aproveitar pra dizer logo outra coisa que esse manhua não é:

Ele não é um wuxia

“Tá mas que ser isso?” Wuxia é o gênero de artes marciais, geralmente histórico e/ou misturado com fantasia. Em outras palavras, aqueles filmes ~asiáticos~ com várias pessoas lutando, voando, rodopiando e jogando espadas em movimentos ultra coreografados a.k.a. clã das adagas voadoras são wuxia. É um gênero também bastante comum nos manhuas, mas não Chang Ge Xing. De vez em nunca ele te dá o gostinho de alguns movimentos estilo wuxia, mas é tão pouco e tão rápido que quase não vale a pena mencionar. Se era um monte de lutas que você esperava, sinto desapontá-lo.

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Pra falar a verdade eu tinha até esquecido que essa cena existia

Chang Ge Xing é muito mais uma história de guerra. Eu diria até uma história de política, mas acontece que a guerra é um troço que exige coisas diferentes da política. E existe essa máxima: na guerra, os dois lados estão errados. É sempre bom manter isso em mente à medida que novos personagens vão aparecendo, porque a partir de um certo momento as definições de “herói” e “vilão” vão ficar extremamente borradas.

Acima de tudo, este ainda é um manhua histórico, portanto sutilezas sobre o governo, a sociedade, a cultura e as relações pessoais estão espalhadas por toda parte; isso sem nem falar em todas as manobras políticas, os casamentos forçados, as brigas pelo poder, as guerras, saques, escravos e assassinatos, tudo por baixo dos panos (tudo aquilo que você já deve conhecer de outros históricos, mas de uma forma bem sutil). Forçar os personagens a agir segundo a moral de um determinado período podia muito bem acabar limitando os caminhos da história, mas o que acontece de verdade é uma abertura de possibilidades em relação à trama, já que dá a eles a escolha básica de agir segundo as regras do jogo ou não. E, como eu já disse, a parte individual dos personagens conta tanto quanto o resto.

Talvez você tenda a encarar a trama política e a história pessoal da Chang Ge como duas coisas separadas, mas não devia. Da primeira vez que eu li, fui só no entusiasmo de esperar a próxima coisa acontecer. Foi uma leitura válida. Na segunda vez, eu insisti que queria entender as guerras, a política e a filosofia e ler com mais calma, e fiquei muito surpresa com o quanto eu entendi a mais sobre os personagens olhando por esse lado. Uma coisa anda bem junto da outra.

Outra coisa em que esse manhua acaba focando depois de uma certa hora é o significado do Tao (ou Dao), o “caminho”. Se você pensou no Tao do Taoismo, é esse mesmo. Entender esses conceitos talvez ajude a achar algum sentido em certas escolhas dos personagens, mas você não precisa ser nenhum doutor em religiões pra entender o sentido geral da coisa, e isso aqui não é nenhuma aula de filosofia (os tradutores até colocaram algumas notas explicativas de vez em quando, pra quem tiver curiosidade). No geral, estamos falando do caminho individual de cada um. Claro, alguns personagens gostam mais das discussões filosófico-religiosas que outros. Mesmo que o tema não seja particularmente do seu interesse, eu considero essa uma marca cultural importante; não no sentido de “só os chineses entendem” (o que não é verdade), mas mais como se fosse um autor de outro país escrevendo essa mesma história, talvez tivesse resolvido essa questão de outro jeito, com base em outros valores”. Quem sabe você até acabe interessado pelo assunto (se você for louco e cabeçudo como eu, vai acabar fazendo umas idiotices tipo tentar ler o Dao De Jing e falhar miseravelmente, ou começar a ler Taoismo para Leigos e descobrir que é burro demais pra entender até a versão simplificada da coisa).

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E ainda: crescimento pessoal nunca envolve uma pessoa só, então os personagens secundários importam tanto quanto a principal (claro que não todos no mesmo nível). Além do quê, Chang Ge não é necessariamente a única personagem principal. À medida que a trama se desenvolve, você percebe a presença de, no mínimo, um segundo protagonista (que em termos técnicos se chama deuteragonista). Não direi quem é essa pessoinha pra não estragar a diversão de ninguém. Digo apenas que é interessante ver as figuras inicialmente secundárias irem ganhando profundidade e importância, e também perceber como as pessoas aprendem com suas experiências. Mesmo sendo só mudanças sutis de comportamento, dá pra ver que os personagens não vão sair do mesmo jeito que entraram, e eu acho esse um processo muito divertido de acompanhar.


(Tentativa de te orientar pelos) Personagens:

As más notícias talvez venham pra quem tem dificuldade em memorizar nomes de personagens: sim, os nomes são complicados, especialmente se você não sabe nada de chinês. Eu sugeriria até ir fazendo uma lista pra não se perder, mas realmente que trabalheira do cão. Eu tentei fazer uma lista completa e deu bem errado (talvez algum dia tente de novo), mas, por enquanto, fiz uma listinha reduzida pra você conseguir se virar nos primeiros 20 capítulos ou algo assim:

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  1. Li Chang Ge (também conhecida como Princesa Yongning), a nossa protagonista. Teve uma educação um tanto masculina para a época mas, apesar de sua competência como estrategista, não pode herdar o trono (mas pode se vingar porque vingança é livre né povo);
  2. Li Shimin (ou Imperador Taizong) é tio da Chang Ge e o grande final boss a ser derrotado, a princípio. Pra falar a verdade, ele nem vai aparecer muito por enquanto;
  3. Dou (às vezes chamado Ah Dou) é o sidekick um moleque maluco que grudou na Chang Ge no meio do caminho e decidiu que seria seu discípulo. Ele tem seus próprios motivos para odiar o imperador, mas nunca falou sobre isso diretamente;
  4. Gongsun Heng é o governador da Província de Shuo, um lugar próspero e pacífico que teve o azar de estar na posição ideal para um ataque dos turcos.
  5. Qin Gu é o velho conselheiro do governador Gongsun;
  6. Xu Feng trabalha para Qin Gu e o governador Gongsun;
  7. Ashina Sun é o filho adotivo do Grande Khan turco (portanto um tegin, título dado aos membros jovens da família do Khan) e general do exército/tribo conhecido como “as Águias” (ou “Falcões”, dependendo da tradução; eu sei que faz diferença mas não me enche que eu já disse que não sei chinês);
  8. Mujin é o melhor amigo e braço direito do Sun, além de grande faz-tudo/cara da contabilidade do exército;
  9. Mimi (ou Mimiguli) é uma garota uigur capturada pelos turcos.

(Imagem alternativa extremamente épica de alguns personagens balançando vários cabelos ao vento)


“Meu senhor que que é isso? A gente não tava na China? Por que tem turcos aí? Que diabos é um uigur?”

Calma, filho. Eu disse que era uma história de guerra, então aqui estão os inimigos (ou aliados; depende de como você enxerga).

Se você tem algum interesse pela história da Ásia, ou se simplesmente quer saber um pouco mais sobre os outros povos que se relacionavam ou entravam em guerra com a China (é claro que eles tinham inimigos, eles construíram uma muralha poha), então está aqui uma grande oportunidade. Um resumo dos quatro povos centrais dessa história seria mais ou menos assim:

  • Os Han, que hoje em dia nós chamaríamos simplesmente de “chineses”. Até hoje, esse é o grupo étnico mais numeroso da China. Na época em que essa história se passa, o seu império era conhecido como Tang (a dinastia é Tang também);
  • Os Turcos, ou, no caso, o Khaganato Turco Oriental (em tradução porca). É um império nômade que ocupa as terras ao norte de Tang e vive entre conflitos e acordos com os Han. O título do seu líder é khagan (ou “Grande Khan”), e, nessa época, pertencia a Ashina Duobi (ou Illig Khagan); a história também conta com um “Khan Menor”, Ashina She’er (mais curiosidades históricas lá pro fim do post);
  • O povo Khitan, nômades sob o domínio dos turcos, habitam as terras a nordeste;
  • O povo Uigur, outro povo nômade, desta vez do noroeste. Geralmente são identificados na história pelos seus cabelos loiros, e também andam subordinados aos turcos.

“Oxe pra mim chega, eu que não vou ler esse troço porque parece muito complicado”.

Foi mal. Isso tudo eu escrevi na base do entusiasmo, achando que assim ia ficar mais fácil pra quem quisesse começar a ler agora. Talvez eu tenha simplesmente complicado demais esse manhua quando na verdade devia ter deixado que vocês mesmos o explorassem. Então, tudo que eu posso dizer é:

NÃO DESISTE AINDA

Comece a ler que você vai ver que vale a pena. O que te espera é uma história muito melhor do que meu reles resumo em formato de post. Claro que tem seus defeitos, mas não é disso que eu vim falar aqui. Imagine personagens complexos, uma trama coerente com batalhas relevantes (batalhas mesmo, não lutas aleatórias) e UMA ARTE MARAVILHOSA QUE MELHORA A CADA CAPÍTULO:

E vários homens de cabelo comprido se é que você gosta desse tipo de coisa. Vou ser imparcial e dizer que as mulheres também são bonitas.

Primeiro uma imagem de apreciação do meu husbando Situ Langlang, que não apareceu na lista de personagens ali em cima (as falas aqui não eram muito importantes então eu deixei os balões em branco mesmo)

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Agora DUAS imagens de apreciação do meu husbando Ashina Sun PORQUE ELE MERECE POHA (queria pôr uma outra do Mujin porque ele também é meu husbando também merece mas não achei nenhuma imagem à altura e tô triste)

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ASHINA SUN HOMÃO DA POHA PRONTO FALEI

(aliás você talvez ache que a arte não é lá essas coisas no começo da história, mas é assim mesmo; te prometo que no final até as pessoas feias vão sair maravilhosas)


Já que eu já comecei a apelar, vamos logo pra pergunta que talvez interesse:

“Tem romance nessa bodega? Quero vê uns bejo”

Mesmo se ninguém perguntar eu vou falar de qualquer jeito.

A resposta rápida é não. O foco da trama não é romance e não vai ter ninguém se pegando pelos cantos.

A resposta mais correta porém complicada é sim e não. Só porque a prioridade é a trama política, não quer dizer que outras partes da história não tenham importância (eu já disse que os relacionamentos entre os personagens também contam muito). Mesmo sendo uma história com pouca coisa no sentido de romance, os sinais estão lá pra quem quiser ver. Não posso falar se alguma coisa vai efetivamente acontecer (até porque a história ainda não acabou), mas posso dizer que a autora tem total consciência da necessidade de alguns leitores de shippar alguns personagens, e ela não vai deixar barato. Exatamente por ser pouca coisa, essas partes acabam ficando muito melhores.

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Uma cena dramática aleatória, que pode ou não ter a ver com romance, apresentada aqui sem contexto nenhum com o único objetivo de te deixar desesperado desde já.

Não sei dizer que futuro a autora esperava dar para Chang Ge Xing nesse sentido (ouvi boatos mas não repetirei), então a gente fica aqui sofrendo na expectativa (esta tabela talvez possa te dar alguma luz ou esperança; cuidado com os spoilers). Mesmo ainda não sabendo o final, pra mim, as melhores histórias são aquelas que conseguem balancear todas as suas diferentes faces, e eu acho que essa aqui faz isso muito bem. Ou seja, tem coerência nas ações e planos dos personagens E SIMULTANEAMENTE ainda consegue destruir meu emocional de forma efetiva. Comédia não é o ponto forte, mas mesmo disso tem um pouco quando precisa.


Agora, por que eu enfatizei tanto o fato de ninguém saber no que essa história vai dar? A resposta estava já na ficha técnica lá em cima:

CHANG GE XING ESTÁ EM HIATO

E é nessa hora que a gente chora.

Não é muito fácil conseguir notícias da série, não só porque tá tudo em chinês mas também porque a maior fonte de notícias é o Weibo (o Twitter chinês), e eu não tenho coragem, habilidade e/ou paciência pra tentar adentrar esse buraco sem fundo. O que escapou para os fãs em inglês até agora foi: o contrato com a editora acabou e a autora resolveu não renová-lo porque a editora basicamente se aproveitou dela e deu vários nada em troca. Agora, Xia Da está possivelmente presa numa batalha legal pra não perder os direitos da obra, além de ficar doente toda hora porque você sabe como os mangakas ferram com a própria saúde pra manter os prazos. Mais detalhes para os interessados direto nas minhas fontes, aqui e aqui (em inglês).

Então como a gente sabe se há futuro pra Chang Ge Xing? Pois a boa notícia é que a autora está paralelamente publicando um spin-off chamado Shi Yi Lu, cobrindo principalmente histórias que aconteceram antes da história principal. E ele é totalmente em cores e maravilhoso.

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Imagem promocional/ilustração da capa do primeiro volume de Shi Yi Lu

Então a gente fica aqui chorando e sofrendo, esperando que o judiciário chinês funcione mais rápido que o daqui e devolva logo os direitos da obra pra essa mulher poder continuar a despedaçar o meu coração. Mas pode ter certeza que eu vou ser a primeira louca a vir gritar aqui quando a publicação voltar, então fique de olho. Aliás, se você souber mandarim e/ou tiver acesso ao Weibo, aceito notícias e te pago um salgado mentira porém verdade.


Chegou a hora do que realmente importa: onde ler essa maravilha.

Em português, dá pra achar até o capítulo 10 feito por dois grupos (site do Itadakimasu Scans que reúne tudo), mas já foi cancelado faz um tempo. Aliás são todos retradução do inglês, então a versão que talvez realmente te interesse ver é a original do Easy Going Scans (download/online), que fez do 00 ao 59, mais o capítulo especial (que às vezes é chamado de prólogo, às vezes de capítulo 12.5). Apesar de ser a melhor versão disponível, mesmo ela não é livre de erros de revisão (vários) e incoerências na nomeação dos personagens (às vezes é meio difícil entender de quem eles tão falando). Além do mais, vários capítulos foram traduzidos da versão japonesa, então dá pra ter uma ideia do quanto se perde nesses vários processos de retradução.

Depois disso, dá pra achar os últimos capítulos, do 57 ao 61, traduzidos por usuários do tumblr, especialmente o Choukakou Translations [EDIT: link morto que hoje em dia redireciona pra site pornô então eu tirei] e o Bridges You Crossed You Didn’t Know (dá pra achar coisas legais no Unable or Unwilling também) (cuidado com os spoilers em todos os sites). Como o sistema de busca do tumblr me odeia, às vezes é mais fácil tacar o número do capítulo que você quer no google direto (lembrando que alguns capítulos são divididos em 61.1 e 62.2 por exemplo, e os tradutores costumam manter essa organização). Se você sabe mandarim, hoje é seu dia de sorte! A publicação original é ~de grátis~, disponível aqui.

Quanto a Shi Yi Lu, procure nesses mesmos tumblr. Até agora, traduziram o 1, o 2 e o 8 (são histórias separadas então é possível); o prólogo aqui. A publicação original, a princípio, é aqui, talvez também aqui.

EDIT:

Depois da ban do tumblr eu só posso dizer uma coisa: f o d e o *risos nervosos*. Eu realmente não sei como continuaria a comunidade de tradução desse negócio sem o tumblr; inclusive, desde que eu comecei a escrever esse post, alguns dos links que eu coloquei aqui já morreram completamente (eheuehueheuheueue que ódio). Posso dizer apenas que a minha decisão de dar a louca e baixar todos os capítulos enquanto escrevia foi a coisa mais premonitória que eu fiz esse ano (sim eu tenho todos mas não vou sair distribuindo porque afinal não fui eu que fiz).

Não gosto muito de dar links de sites agregadores, mas vamos lá: tanto o Manga Rock quanto o Kissmanga têm todos os capítulos até o 60, então até aí a sua diversão está garantida. Só o 61 parece que não foi notado por nenhum deles até agora; como também foi bem difícil de achar, vou ser legal dessa vez e dar os links (e eu sugiro que você corra pra salvar todas as imagens porque vai saber se não vai acabar bloqueado também): cap 61.1/cap 62.2 (parte 1/parte 2). Já Shi Yi Lu está mais atualizado no Kissmanga ou no MangaDex.

EDIT 2: Com o fim do Manga Rock anunciado, vamos lá de novo: o MangaDex não tem todos os capítulos, mas tem os do 58-61 feitos pelos tumblrs. Quebra um galho.

Fora isso, só posso dizer que não estou nada surpresa porque já não é de hoje que o tumblr me odeia (Y U ME ODEIA TUMBLR).

~fim do edit~

 

Aliás, créditos das traduções deste post: todas as imagens em português daqui são retraduções minhas a partir da versão em inglês do Easy Going Scans, às vezes com uma ajudinha das RAWs em japonês. Foi só pra fins ilustrativos, mas eu tentei manter o sentido o máximo possível.


Como esse post já ficou gigante mesmo, vou aproveitar e colocar algumas curiosidades aqui no finzinho:

  • A tradução do título em inglês que ficou popular, Song of the Long March, na verdade é uma tradução errada. 長歌行 significa algo nas linhas de “a jornada de Chang Ge” (sendo que o nome Chang Ge é mais ou menos “longa canção”). Além dela, o único outro personagem de quem eu pesquisei o significado do nome foi o Sun, 隼 “falcão” e eu achei muito adequado.
  • Chang Ge Xing conta também com uma publicação japonesa pela Young Jump Comics, mas, ao que tudo indica, ela foi cancelada com 8 volumes (com todo esse problema com a editora original, não me admira). As capas japonesas são diferentes das chinesas; no começo eu gostava mais da originais, mas hoje em dia eu nem sei mais porque todas estão num nível técnico quase ridículo de tão alto:
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Algumas das capas chinesas de exemplo (ia colocar todas mas achei demais); a Chang Ge está em todas elas menos a 9, que é uma das minhas favoritas mas talvez seja meio spoiler, então achei melhor não.

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Capas dos volumes 1~4 da versão japonesa. Ao contrário das chinesas, em cada capa vai um personagem diferente.

  • Os japoneses adoram dar uma pronúncia própria pra nomes chineses. Assim, Li Chang Ge é Ri Chouka, Li Shimin é Ri Seimin, Dou é Tou, Qin Gu é Shin Ko, Gongsun Heng é Kouson Kou, Mujin é Bokukin e Ashina Sun é Ashina Shun e eu acho que esse nome fofo faz ele perder uns dez anos e ficar parecendo uma criança do fundamental. Aliás, o título japonês é Choukakou, e se escreve basicamente do mesmo jeito.
  • Também existe uma versão francesa, La princesse vagabonde, publicada pela Urban China e que só foi até o volume 7 por enquanto (a página com notícias que eu não sei ler) hora de me mudar pra França.
  • Alguns personagens existiram de verdade, como Li Shimin, Li Jiancheng, Ashina Duobi e Ashina She’er (que só tem páginas nas wikipédias chinesa e japonesa, mas a página do pai dele fala um pouco sobre ele), mas pelo que eu consegui descobrir, She’er nunca foi o Khan Menor na vida real (posso estar muito errada). Chang Ge e a maioria dos outros, a princípio, não estão registrados em lugar nenhum.
  • Existe um dorama também chamado Chang Ge Xing, mas ele não tem nada a ver com o manhua. É só uma coincidência de nome [EDIT: fontes dizem que as filmagens para um dorama realmente de Chang Ge Xing teriam começado (!!!!!!!!!), mas não tenho mais detalhes pra dar]
  • Pelo que eu percebi, no site de publicação original, os usuários têm a opção de “dublar” as falas de cada balão e deixar a gravação disponível pra outras pessoas ouvirem enquanto leem (fica um símbolo de alto-falante do lado do texto). Eu achei isso muito fantástico porque parecia o anime que esse manhua nunca teve a chance de ter, mas por algum motivo o som parou de funcionar no meu pc. Algum dia eu juro que vou descobrir o problema e ouvir essa coisa toda mesmo não entendendo uma palavra de chinês.

Bom, acabou meu combustível (chá verde, segundo a Sah) então o surto para por aqui.

~Xícara entra de volta no armário da cozinha e desaparece~

 

2 Respostas para “CHANG GE XING – Um objetivo, vários caminhos

  1. Xícara do céu, amei seu post! Só estou levemente triste por acabar ficando vontade de ler, pra você me vir com esse balde de água fria que é o hiatus kkkkk (mas a vida de fã é assim mesmo, acontece)
    Obrigada pela recomendação, com certeza é uma história que vale a pena conferir~

    Curtido por 1 pessoa

    • Awwwn, assim eu não sei nem onde enfiar a cara ^^
      Pois eu fiz esse post exatamente pra chamar mais gente pra sofrer com o hiato comigo. Vamo que vamo no trem da sofrência o/

      Curtido por 1 pessoa

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