A BÍBLIA FEMINISTA DO MUNDO OTAKU: onde está o feminismo nos animes e mangás?

Olá! Como vai? Tudo ótimo? Tudo bem?

Hoje vamos falar sobre feminismo na indústria dos animes e mangás!

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AVISO:  

ESTE POST SERÁ LONGO. COMO MENCIONEI NO TÍTULO: É UMA BÍBLIA.

Não é de hoje que a representatividade feminina ao longo da história foi limitada e banhada em preconceitos ridículos. Incrivelmente, isso acontece até hoje: em casa, no trabalho, no meio acadêmico, em relações sociais… enfim, a mulher possui um estigma forte com o machismo. O feminismo foi um movimento que surgiu para dar voz às mulheres que lutam por seus direitos em busca de igualdade e liberdade, seja esta última de escolha ou expressão. Afinal, mulher nenhuma nasceu para ser submissa de ninguém, quem dirá de homem.  

Essa é a definição de FEMINISMO que temos no nosso dicionário

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Essa definição não é consenso entre as partes (militantes e doutrinadores), afinal o FEMINISMO é algo muito maior do que isso, e não é o caso de esclarecemos todas as particularidades do movimento aqui. Base de referências bibliográficas e análises contextuais são diferentes de país para país e de décadas para décadas, ou seja: mudam, ainda mais quando se tratam de um tema tão vasto como este. Então, devido a tamanha complexidade do assunto, vamos nos ater a parte mais simples da questão, afinal: o nosso foco são os animes/mangás e suas evoluções atrelando a representatividade feminina no contexto da indústria de entretenimento otaku.

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Mas e aí? Onde está o FEMINISMO nos animes e mangás?

Provavelmente em uma caixa trancafiada com 5 chaves…

“Ué, não eram 7?”

2 dessas chaves já foram usadas com muito esforço. O mundo evoluiu, mas 89% da indústria dos animes e mangás parece ter estagnado com o tempo. NÃO SEJAMOS HIPÓCRITAS, mas qual é a primeira coisa que surge na cabeça de vocês quando pensam em personagens femininas de animes?

Resposta genérica:

As minas kawaii’s de saias super hiper mega curtas com os seios maiores que a panela de pressão da minha mãe.

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Infelizmente, a figura da mulher no universo otaku foi praticamente resumida ao apelo sexual juntamente com ideais machistas. Triste realidade, mas existem poucos, senão raros, os animes que mostram a figura da mulher de forma independente, autossuficiente e forte para enfrentar valores machistas ou, até mesmo, misóginos. 

Embora o universo otaku tenha sido criado originalmente no território japonês… país lindo, mas manchado pelo conservadorismo constitucionalmente idiota quanto à posição da mulher na sociedade, ainda existem raios de esperança. Mediante o desenvolvimento tecnológico, surgiram redes sociais, conselhos, ministérios e movimentos ativistas, possibilitando – assim –  que a opinião feminina ganhasse força no meio social. Essa façanha possibilitou que várias mulheres conquistassem e lutassem por seus direitos, fazendo com que certos esteriótipos fossem quebrados aos poucos. A mídia que antes retratava a mulher como sexo frágil, atribuindo-lhes uma figura exclusivamente doméstica, hoje ganhou ares de modernidade e evolução (até porque não dá pra ficar com o cérebro atrofiado desde 1500 néh?). 

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“Abaixo a discriminação sexual!”

Essa mesma mídia que direta e indiretamente fomentou discursos como aquela famosa frase de dar vergonha alheia “lugar de mulher é na cozinha”, hoje está mudando e se adequando a uma realidade mais meritocrática e com restrições de preconceitos. E, para nossa alegria, com o indústria dos animes e mangás não foi diferente. 

Sei que ainda vamos encontrar situações em que a mulher ainda é usada como tópico de “fanservice” e presenciar algumas cenas ridículas que nos fazem chorar sangue. Muita gente ainda custa a entender que mulher é muito mais do que bunda, seios enormes e saber cozinhar. Mulher nunca foi inferior, apenas existiram homens que restringiram oportunidades e direitos do público feminino, pois tiveram medo de tal influência. 

Apesar da primeira revista japonesa focada no público feminino ter sido lançada em 1923, chamada de Shojo Club, revista publicada pela Kodansha, a revolução só chegou nos anos 50. E é neste contexto que quero chamar a atenção de vocês para algo um pouco óbvio: feminismo sempre existiu, mas o Shoujo Mangá só foi evoluir quando um certo cara jogou um balde de água fria na sociedade japonesa…

 

Osamu Tezuka foi o precursor da revolução do Shoujo Mangá. 

 

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Eis aqui o “louco” que se formou em medicina na Universidade de Euller, mas seguiu a carreira de mangaká após a graduação. Tezuka foi o primeiro mangaká a dar um papel de excelência para a mulher quando publicou, de 1953 a 1956, Ribbon no Kishi… obra conhecida aqui no Brasil como “A Princesa e o Cavaleiro”.

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A princesa e o Cavaleiro: trata-se de uma história em que uma princesa chamada Saphire precisa fingir ser um menino, porque o trono do seu reino (Reino de Prata) só pode ser governado por homens. Saphire passa por vários problemas durante sua jornada, ainda mais porque antes do seu nascimento um anjo lhe deu dois corações: um de menino e outro de menina. Saphire assume duas personalidades e, pela ironia do destino, acaba se apaixonando pelo príncipe herdeiro do Reino de Ouro. A história tem romance? Sim, mas boa parte do enredo é repleto de jogadas políticas, lutas e questões de identidade.   

RESUMINDO: vocês têm noção do quão importante essa obra foi para o público feminino e do quão gratificante foi ter uma personagem feminina lutando contra diversas injustiças, sendo uma delas a de gênero em plenos anos 50?

RESUMINDO, PARTE 2: não, vocês não entenderam… eu vou explicar isso, antes que eu morra sem transmitir o meu amor incondicional por Osamu Tezuka. 

Além de ser inspirado na figura feminina, a Princesa e o Cavaleiro possui influência do Teatro de Takarazuka, lugar que Tezuka frequentava na sua juventude. Esse teatro foi fundado em 1913 por Kobayashi Ichizo e, pasmem, era composto apenas e exclusivamente por mulheres. Notem que o acervo de influência para compor Ribon no Kishi não surgiu do nada, veio da vida do próprio autor.

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Conseguem notar a preciosidade dessa obra e por que foi considerada um marco para o Shoujo Mangá? O simbolismo por trás de dar dois corações para uma protagonista não é interessante ou fofo… É TRISTE. Já sabem onde quero chegar, néh? Para Saphire ser aceita pelo seu reino, ela não precisava apenas fingir ser um homem, ela precisava provar que tinha a alma de um. ALGUÉM ME SEGURA QUE EU VOU CHORAR.

Dá para imaginar o que se passava na cabeça dessa personagem feminina no momento em que ela percebe que, naquela época, ser mulher não era o suficiente?

Que ser mulher era sinônimo de fraqueza e submissão?

Que ser mulher significava não poder governar?

A CRÍTICA SOCIAL ERA GRITANTE, mas ninguém falava nada.

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Eu quero que alguma alma caridosa me diga qual a diferença desse mangá para a sociedade em que vivemos. Não precisa responder, eu mesma respondo para vocês: nenhuma. Hoje as mulheres têm voz e direito de governar, mas o passado diz o contrário e atualmente há quem queira tirar tais conquistas. Muitas mulheres foram queimadas, apedrejadas e julgadas no passado apenas por terem influência na sociedade. Pseudo-bruxas, guerrilheiras, ativistas, escritoras que assinavam como homens e não como mulheres, pois tinham medo de punições – todas, absolutamente todas, foram vítimas de uma ideologia de gênero deturpada.  

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Mas só Osamu Tezuka contribuiu para a força do feminismo nessa indústria originalmente machista?

Não,

graças à Deus.

A indústria de mangás começou ganhar força no início do século XX, mas a trajetória do Shoujo era muito limitada, até porque naquela época ainda não existia as chamadas “demografias” especificadamente. É válido ressaltar que a maioria das pessoas que detinham poder sobre revistas e editoras eram homens, bem como o trabalho majoritariamente masculino no campo industrial. Naquele tempo, boa parte dos escritores e ilustradores também eram do sexo masculino, então querendo ou não… eles passavam para o público, através de seus personagens, a ideia da “mulher ideal”. Não conseguiu entender? Imagine aquele povo que defende a “moral” e os “bons costumes” aqui no Brasil, daí multiplica por mil e tente não se assustar (impossível). 

Após o surgimento da Princesa e o Cavaleiro, foi só na década de 60 que as coisas começaram a andar nos trilhos… as mulheres começaram a ganhar espaço na sociedade e, consequentemente, no mangá! Até porque néh, vamos concordar: não dá pra continuar lendo histórias esteriotipadas de mulheres que ficam metade do dia na cozinha e a outra metade cuidando do marido.

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A ERA DO PROTAGONISMO FEMININO FINALMENTE CHEGOU! 

OBS: alguém sabe o nome dx artista dessa imagem? Tem a assinatura, mas está ilegível. Quem souber, por favor me avisa para creditá-lx devidamente.

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A linha do tempo da conquista feminina no universo otaku.

Neste tópico, abordarei as obras e autores que achei relevantes durante o passar das décadas; os que fomentaram a ascensão do poder feminino na industria de animes e mangás.

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ANOS 60 – A CONTINUAÇÃO DE UM LEGADO.

Com a influência de Tezuka, essa década foi marcada pela perda do receio das mulheres de entrar na indústria dos quadrinhos. As mulheres foram adentrando mais nesse universo, expondo seus pontos de vistas e mudando aos poucos o padrão de “mulher ideal”. 

 

PROTAGONISTAS:

 ❥ Miyako Maki e Chieko Hosokawa:

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Miyako Maki fez sua estréia profissional em 1957 com Haha Koi Warutsu. Em 1961 se casou com Leiji Matsumoto, que começou ajudá-la com suas histórias, mas só foi em 1989 que Maki ganhou seu primeiro prêmio: o Shogakukan Manga Award (um dos maiores concursos de mangá no Japão.) por uma versão em mangá de O Conto de Genji de Murasaki Shikibu’s The Tale of Genji. Ela também foi a criadora da boneca Licca-chan que, posteriormente, ganhou um anime em sua homenagem intitulado “Super Doll Licca-chan”, animação sobre uma boneca guerreira dotada de poderes. 

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E QUE, INCLUSIVE, POSSUI VERSÃO DUBLADA AQUI NO BRASIL!

Mediante a repercussão do anime, também foi publicado um mangá baseado na animação pela Kodansha na revista Nakayoshi.

Chieko Hosokawa fez sua estréia profissional em 1958 com Crimson Rose (Kurenai no Bara) e em 1991 recebeu o Shogakukan Manga Award por Crest of the Royal Family –  publicado na revista mensal Princess desde 1976 até hoje. Tal anime conta a história de Carol Reed (heroína da história), uma menina viciada em Egiptologia, dotada de uma inteligência tremenda, que viajou no tempo 300 anos atrás… parando no Egito antigo, onde conheceu um jovem faraó chamado Memphis. Por ter grande conhecimento sobre o Egito, Carol começou ser vista como ameaça, pois além de ajudar Memphis sobre determinados assuntos, ela exerceu papel fundamental em questões políticas tanto no Egito como Assíria e Babilônia. Entretanto, nem tudo foi um mar de rosas, porque muita gente não gostou nada da ideia de ter uma mulher forasteira influenciando no governo do país.

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❥ Outra artista muito importantes foi Hideko Mizuno.

Mizuno é especializada em Shoujo Mangá e foi uma das raras mulheres que iniciou sua carreira como assistente de nada mais, nada menos que Osamu Tezuka.

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Só para esclarecer: sim, em ambas as fotos são a mesma pessoa. Mizuno tinha um estilo meio (?) excêntrico.  

Sua estreia aconteceu em 1956 quando lançou Akakke Pony. Entretanto, a fama veio apenas em 1963 quando publicou White Troika pela revista Margaret. Mizuno é mais conhecida por Fire! , mangá publicado entre 1969-1971 e por Honey Honey no Suteki na Bouken, este último adaptado para um anime de 29 episódios em 1981 pela Kokusai Eiga.

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Mas v-v-vocês acham que acabou por aí? Mano, se vocês acharam o estilo da Mizuno excêntrico, foca só NO INÍCIO dessa mini sinopse de Honey Honey que achei quando queria assistir o anime anos atrás:  

“Viena, 1907. A cidade dá um banquete em comemoração ao aniversário da Princesa Flora. Vários líderes e pessoas de renome lhe pedem em casamento. Um belo ladrão chamado Fênix está disfarçado entre os convidados com intuito de furtar o anel da princesa: uma joia dada a ela por um milionário brasileiro, joia batizada pelo nome de ‘o Sorriso do Amazonas’.” 

JURO QUE QUASE MORRI AHSUAHSUAHSU

Agora calma, o choque vem agora: Honey Honey foi dublado e transmitido no Brasil como “Honey Honey (Favo de Mel)”! Para nossa alegria, a SBT vendeu a imagem desse anime que nem água na época. Inclusive, o Silvio Santos autorizou um especial intitulado “21 anos do SBT” com Honey Honey.

 

❥ Mas só pra fechar os anos 60 com chave de ouro, alguém sabe quem é esse homem? Esse senhorzinho super fashion de óculos?

Contagem regressiva: 1… 2… 3…

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Trata-se de Mitsuteru Yokoyama, um mangaká  japonês famoso, criador de Mahoutsukai Sallyo primeiro anime de Mahou Shoujo japonês. É isso mesmo que você acabou de ler. É nessa hora que vocês pensam “OMG NÃO FOI SAILOR MOON?? MINHA INFÂNCIA FOI UMA MENTIRA” pois é, amigos! O primeiro anime de Mahou Shoujo não foi o de Sailor Moon, mas sim o dessa garotinha fofa e independente chamada Sally:

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Mahoutsukai Sally foi o primeiro ANIME de Mangá Shoujo, mas o primeiro MANGÁ dessa demografia foi Himitsu no Akko-chan, criado em 1960 por Fujio Akatsuka e publicado na revista Ribon de 1962 até 1965. (É isso mesmo, eu estou acabando com a infância de vocês).

ANOS 70 – ARROMBANDO AS PORTAS DO PRECONCEITO.

Sabe aquele sentimento de “agora vai!”? Foram os anos 70! Essa época foi marcada por revoluções, por ativismo feminino na sociedade japonesa e pela busca da igualdade de direitos. Logicamente, com a industria de animes e mangás não foi diferente; o cenário da sociedade foi refletido COM GOSTO nos quadrinhos. A mulher ganhou voz nos anos 60 na indústria de mangás, mas foi a partir da década de 70 que começou perder o medo de gritar.   

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PROTAGONISTAS:

❥ Nijuuyo-nen Gumi:

Algumas das integrantes: Moto HagioRiyoko Ikeda e Keiko Takemiya.

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Nijuuyo-nen Gumi (O Grupo do Ano 24) foi um grupo de mulheres mangakás que nasceram em torno de 1949, ano que corresponde ao ano 24 da Era Shouwa. O trocadilho e significado por traz deste nome, era justamente porque a Era Shouwa é relatada na história como o período mais longo de todos os reinados dos imperadores japoneses anteriores ao imperador Shouwa, codinome Hirohito. Apesar dos contratempos (que foram vários), esse período é referido em alguns livros de história japoneses como “A Era Iluminada”.

Mas enfim, depois de fazer um curto apanhado histórico sobre a origem do nome “Nijuuyo-nen Gumi”, vamos ao que interessa: esse grupo exerceu muita influência na década de 70, principalmente porque as artistas do sexo feminino já não tinham mais medo de expor suas ideias e, neste âmbito, os preconceitos começaram a ser quebrados! 

E quando digo preconceitos, falo sobre: discriminação de gênero, de raça/cor, de status social, de aparência e, inclusive, de orientação sexual. Tanto que os chamados BLs (Boys Love) começaram a se popularizar nos anos 70 devido a influência de autoras do Nijuuyo-nen Gumi como Moto Hagio (Thomas no Shinzou) e Keiko Takemiya (Kaze to Ki no Uta), além de outras figuras fora do grupo como Minami Ozaki (Zetsuai sendo este último publicado apenas em 1989). Na época, ainda não existiam gêneros como yaoi ou demografias específicas como shounen-ai, eles chamavam tudo isso de BL mesmo. 

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❥ Mas quem era Riyoko Ikeda mesmo?

Riyoko Ikeda – O coração da Margaret.

A primeira de seu nome, Nascida da tormenta, A lendária mangaká das revoluções, Rainha do Girl Power, Precursora da coragem, Feminista de raiz, Mãe de Lady Oscar.

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 DEUS NO CÉU E RIYOKO IKEDA NA TERRA!

Eis aqui a mulher que escreveu e ilustrou ROSA DE VERSALHES (Versailles no Bara). Ikeda foi uma das poucas mangakás que aprofundou as temáticas de suas obras em revoluções, principalmente russas e francesas. Ela é um ÍCONE do feminismo no mundo dos animes e mangás desde 1972. Ikeda gosta muito de trabalhar questões de identidade, desmistificar esteriótipos, correlacionar fatos reais com suas histórias, desenhar personagens andróginos e, acima de tudo, surpreender a gente. Em Rosa de Versalhes usou e abusou de cenas um pouco violentas para um mangá da demografia shoujo, além de colocar algumas cenas sobre sexualidade. Eu nem preciso falar sobre o quão Rosa de Versalhes ficou famoso no ocidente e oriente, néh? FOI UMA BOMBA.

A história de Versailles no Bara se passa no final do século XVIII na França e o enredo gira em torno de uma garota chamada Oscar François de Jarjeyes (apelidada de Lady Oscar). Oscar foi criada desde pequena como um garoto por seu pai, cuja influência acarretou em encaminhá-la para a carreira militar. O objetivo de seu pai era fazer com que ela ocupasse seu lugar para comandar a Guarda Real da Corte Francesa. Devido a isso, Oscar sempre foi uma garota independente, destemida, corajosa e muito forte. 

LERAM ESSA MINI SINOPSE? Pois é, agora quero chamar a atenção de vocês para UM DETALHE IMPORTANTE que fico indignada de não encontrar ninguém falando em nenhum blog ou revista:

QUAL A DIFERENÇA PRIMORDIAL ENTRE “A PRINCESA E O CAVALEIRO” E “ROSA DE VERSALHES”?

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Em “A Princesa e o Cavaleiro” (1953), Saphire vivia em uma sociedade tão preconceituosa que ela raramente cogitava na possibilidade otimista de ser aceita como ela é, como mulher. Por isso, infelizmente, ela fingia ser um homem para agradar seus pais e não perder o governo de seu reino. 

Já em “Rosa de Versalhes” (1972), o contexto era completamente diferente. O pai de Oscar queria tanto que ela nascesse homem que acabou criando-a como um, MAS OSCAR NUNCA FINGIU SER UM HOMEM PARA SER ACEITA. Entendem agora por que fazer uma linha de tempo é importante? Nos anos 70, a ideologia de sexo frágil na indústria começou mudar. Ser mulher já não era uma vergonha ou empecilho, era encorajador!

A mulher podia ser forte dentro e fora das histórias em quadrinhos, elas podiam ser, inclusive… uma Lady Oscar!

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As pessoas admiravam Oscar por quem ela era, nunca precisou fingir ser do sexo oposto para ser respeitada. Em Rosa de Versalhes, ela era invejada pelas mulheres, respeitada pelos homens e temida por ambos. 

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❥ Os anos 70 também marcaram o início de um novo estilo: os shoujos policiais! O primeiro shoujo policial lançado no Japão foi Sukeban Deka!

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Sukeban Deka é um mangá shoujo escrito e ilustrado por Shinji Wada, publicado entre 1976 a 1982 pela minha amada revista Hana to Yume. O mangá conta a história de uma garota chamada Saki Asamiya, uma protagonista bem atípica… começando pelo fato dela ser uma delinquente de 16 anos. Asamiya é obrigada a trabalhar para a Keisatsu (omg estou me sentindo uma delinquente!)¹ como uma espécie de agente que tem como objetivo investigar facções criminosas. Ela é uma garota destemida e dona de um temperamento que não é de Deus. Após trabalhar para a polícia, Asamiya passou a se defender com um ioiô de metal, presenteado por seu mentor chamado Kyouichiro Jin.

  • NOTA¹: no Japão existem três jeitos de chamar um policial… omawarisan (a mais respeitosa), keikan e keisatsukan. Entretanto, existe um quarto termo: “keisatsu”, palavra geralmente usada por delinquentes ou criminosos kkkk

Uma coisa que é importante chamar atenção em Sukeban Deka é que esse mangá foi baseado em gangues femininas que começaram surgir no Japão. A maioria era comandada por colegiais que usavam algumas armas como correntes e lâminas. Todas as gangues possuíam regras distintas, variava de cidade para cidade, algumas promoviam até furtos (um exemplo ruim, eu sei). No mais, esse fenômeno social inspirou até filmes como Sukeban Deka The Movie (1987), Counter-Attack from the Kazama Sisters (1988) e Yo-Yo Girl Cop (2006).

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Fotos retiradas do filme Sukeban Deka The Moviede 1987.

Enfim, esse mangá inspirou também muitas outras obras e personagens femininas no universo otaku – desde o estilo de roupas ao poderio feminino. Uns desses exemplos se refletem nas protagonistas de Beelzebub (Aoi Kunieda) e Kill la Kill (Ryuuko Matoi).

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Janeiro de 1976, também na Hana to Yume, estreava Glass no Kamen.

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Escrito e ilustrado por Suzue Miuchi, essa obra é conhecida popularmente aqui no Brasil como “Máscara de vidro”. Sobre o enredo: conta a história de Maya Kitajima, uma garota de 13 anos que sonha em ser atriz. Maya é uma menina muito esforçada e a autora faz questão de mostrar o crescimento dela através de treinamentos intensos – tudo com o intuito de superar os desafios no campo profissional e na vida (que não são poucos).  Esse é o tipo de história que marca uma geração de garotas independentes, que correm atrás de seu sucesso e não ficam reclamando sentadas sem fazer nada. É bem inspirador e, em certa parte, lembra um pouco de Skip Beat (também publicado pela Hana to Yume). 

Aliás, eu já disse que amo a Hana to Yume? Pois é, eu amo a Hana to Yume. Estou falindo horrores comprando essa revista do Japão. Nenhum dos shoujos é clichê” e muito menos gira em torno apenas de uma vida colegial. As protagonistas dessa revista são sensacionais!

ANOS 80 – O SURGIMENTO DO JOSEI.

Os anos 80 foram marcados por uma certa organização de demografias na indústria do Shoujo Mangá. Desde os anos 50, já existia uma certa divisão de demografias referente ao público masculino, mas só foi no início dos anos 70 (lançamento de Lobo Solitário e etc) que essa divisão começou ser fundamentada e adotada como padrão. Nasceu, então: o Seinen! Essa demografia é voltada para um público mais adulto, em que os autores podiam trabalhar questões mais sérias e englobar assuntos mais pesados que não competiam ou convergiam ao pensamento infantil. Daí então, surgiu um questionamento BÁSICO: se o Shounen tem uma “sub-categoria”, porque o Shoujo não pode ter? E então, o Josei nasceu.

Josei: demografia voltada para o público feminino jovem/adulto. O Josei é como se fosse uma “evolução do Shoujo”, é um romance mais maduro que retrata a vida da mulher moderna. Não existem tantas restrições no Josei quanto ao Shoujo, visto que as mangakás possuem liberdade para criar histórias sobre qual gênero quiser. Essa demografia pode conter críticas sociais ao mundo moderno, bem como englobar assuntos como sexualidade, vida profissional, homossexualidade e divórcio.

 

PROTAGONISTAS:

❥ Kyoko Okazaki: a mãe de Pink e Helter Skelter.

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Okazaki começou sua carreira artística em 1980 com Virgin, Second Virgin, Boyfriend Is Better, Taikutsu ga Daisuki, Take It Easy, Take It Easy, Jioramabōi panoramagāru, Suki Suki Daikirai e, finalmente, em 1989, publicou um dos mangás que viria a fazer sucesso até hoje: Pink. Trata-se de um mangá com um enredo bemm atípico… conta a história de uma garota bonita de 20 e poucos anos amante do capitalismo, cujo nome é Yumi. Para conseguir se manter, durante o dia ela trabalha como secretária e à noite trabalha como prostituta (é nessa parte que você se choca e eu também). Yumi precisa desses dois empregos porque além de ser consumista ao extremo, ela tem que alimentar seu animal de estimação – que não é um gato ou um cachorro, mas sim um crocodilo. 

De modo geral, Okazaki foi uma mangaká que trabalhou muito um lado pouco explorado no Josei: o lado psicológico dos personagens. Mano do céu, sabe Elis Regina quando disse em uma entrevista “Eu dou o tiro, quem mata é Deus”? Cada obra de Okazaki era um tiro na sociedade. O foco dessa mulher era no Josei, mas ela trabalhava tantos gêneros ditos como tabu (olha para o enredo de Pink, por exemplo), que o povo começou ter medo da influência das obras dela. Okazaki falava de moda, liberdade de expressão, identidade feminina, aceitação social, estupro, criminalização, prostituição e drogas… tudo o que a sociedade quer esconder pra debaixo dos panos. 

Helter Skelter mesmo… que diabos de história é aquela? É um enredo tão filhodaputa que chega dá vontade de chorar de revolta.

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Assim, a pessoa já toma um tapa na cara na primeira página e tals. Helter Skelter conta a história do sucesso e decadência de uma modelo chamada Lilico. Para se adequar ao padrão de beleza da sociedade em que vivia, Lilico se submeteu A VÁRIOS procedimentos cirúrgicos ilícitos, restando apenas os olhos e genitália como partes verdadeiras de seu corpo. A crítica social e deveras feminista dessa obra é: o que é a beleza? O que é identidade? O que significa… aceitação? A crítica de Helter Skelter está no fato simples de que, assim como antes, hoje em dia as pessoas são influenciadas a mudarem sem nem mesmo se conhecerem. Especialmente as mulheres, que são obrigadas a serem aceitas primeiro pelo mundo e depois por elas mesmas.

CARA, ISSO É TÃO CONTEMPORÂNEO.

ISSO É TÃO ATUAL.

ISSO É TÃO… GRITANTE.

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Tirando algumas exceções, vocês já viram homens no geral seguirem algum padrão de beleza especificamente hardcore que nem as mulheres? Resposta: geralmente, não. Isso é mais frequente em mulheres, é um negócio tão assustador e doentio que o feminismo tenta quebrar até hoje. A moda é usada diversas vezes como arma, muitas mulheres se autocriticam e não se aceitam simplesmente por não estarem nos padrões. Inveja, obsessão, riscos. Tem que ser bonita, tem que ser magra, tem que ser alta, tem que ter cabelo liso, tem que ter olhos azuis, tem que ser loira, tem que ter seios enormes, tem que saber andar de salto, tem que ter cintura violão, tem que… tem que…. NÃO PARA! É um ciclo infinito.

Mas e quando conseguimos tudo isso? O que nos resta quando nos permitimos ser tudo o que está nos “padrões”, menos nós mesmos? Cara, às vezes dá vontade de tatuar a existência de Helter Skelter bem no meio da testa. O contexto é um pouco semelhante às chamadas “selfies”. As pessoas não notam, mas a cada 30 selfies que apagamos almejando conseguir pelo menos uma “boa”, as 29 que excluímos são mais parecidas com nós mesmos do que a que escolhemos. Enfim, esse mangá é um universo para ser trabalhado com calma, farei uma análise dele em outro post, porque esse daqui já tá dando quase 5.000 palavras e eu nem fechei os anos 80 ainda. 

 

❥ A rainha: Riyoko Ikeda!

Oxi, ela de novo? Sim, meus caros! ELA DE NOVO! 

Só para vocês terem noção: Riyoko Ikeda lançou apenas na década de 80, NOVE mangás. Leram isso direito? Essa mulher lançou N-O-V-E mangás em 10 anos. Isso tirando o fato de que ela começou publicar Orpheus no Mado (Shoujo ambientado na Russia czarista e Alemanha) em 1975 até 1981. Resumindo… ela é um monstro. 

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As protagonistas de Ikeda são muito empoderadas e autoconfiantes, chega dá gosto de ler os mangás dela. Vez ou outra fico imaginando o estrago que essa mulher faria se entrasse na Bessatsu Margaret (Betsuma), meu sonho é sair catando aquele monte de Shoujo escolar clichê e mandar tudo pra reciclagem. 

 

❥ Uma das primeiras revistas de Josei no Japão foi a YOU!

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YOU foi uma revista japonesa de manga Josei publicada pela Shueisha. Ela foi criada em 1982 e teve sua sede em Tóquio.  Infelizmente, a revista foi cancelada devido ao baixo número de leitores, lançando sua última edição em novembro de 2018. Para mais detalhes, cliquem AQUI. Achei primordial colocar esse relato, visto que a YOU contribuiu para a popularização do Josei desde o comecinho e era uma das minhas revistas favoritas, mas lamentavelmente muitas revistas dessa demografia estão fechando as portas no Japão. Triste realidade.   

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ANOS 90 – CHEGOU A HORA DE BRILHAR!

Os anos 90 foram marcados pela ascensão da mulher na industria de animação de modo significante. A mulher agora além de ser mangaká, também exercia papeis importantes como em direção de animes. Sobretudo, foi a partir dessa época que várias mulheres começaram a se aventurar no mundo do Shounen, legado que foi carregado com força nos anos 2000.  

 

PROTAGONISTAS:

❥ Naoko Takeuchi

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Eis aqui a mangaká que criou Sailor Moon. Takeuchi começou sua carreira no final dos anos 80, mas só foi no início dos anos 90, especificamente em 1991, que viera a publicar a obra que mudaria sua vida e faria sucesso mundial: Sailor Moon. Essa obra é tão expressiva que consegue cativar pessoas até hoje, mais de 20 anos depois. 

Sinopse de Sailor Moon: Usagi Tsukino é uma estudante chorona que constantemente tira notas baixas em seus testes. Inesperadamente, sua vida monótona é virada de cabeça para baixo quando ela salva um gato que possui uma lua crescente em sua cabeça. O gato, chamado Luna, mais tarde revela que o encontro não foi um acidente: Usagi está destinada a se tornar uma Sailor Moon, uma guardiã com o poder de proteger a Terra. Dado um broche especial que permite que ela se transforme, ela deve usar seus novos poderes para salvar a cidade dos monstros enviados pela malévola Rainha Beryl do Reino das Trevas. 

Inicialmente, o enredo parece clichê. Contudo, o que cativa as pessoas nessa obra são as personalidades fortes das protagonistas. Meu Deus, as personagens possuem alma. São cheias de senso crítico e bastante independentes, além de sempre correrem atrás de seus objetivos e lutarem por JUSTIÇA.

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Esses fatores são tão pontuais que o mangá até hoje é conhecido mais pela personalidade das protagonistas que pelo enredo em si. Pelo menos, eu tive essa impressão antes de começar assistir e ler Sailor Moon. Os diálogos parecem inocentes, mas são fortes e muito bem colocados. Algumas pessoas até alegam que Takeuchi-sensei foi muito ácida em alguns comentários sobre homens, mas fazer o quê néh? Alguém tem que falar a verdade na cara dessa gente. 

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“Apenas homens velhos pensam que são melhores que as mulheres nos dias de hoje”

O sucesso de Sailor Moon foi tão acentuado que abriu portas para novas obras desse mesmo estilo. O mangá foi publicado em vários países, inclusive foi lançado aqui no Brasil pela JBC. Além disso, recebeu várias adaptações para animes. A última foi feita em 2016, mas apesar disso sempre vou preferir a versão antiga de Sailor Moon.

Não sei como explicar, mas a versão antiga parece ser uma produção muito mais aconchegante e transparente do que o remake. Os animes atuais se preocupam muito em mostrar uma reprodução implacável da realidade através do cenário, uma imagem fidedigna do mundo por meio de gráficos e fotografias, enquanto obras antigas como Sailor Moon tentam transmitir uma visão autêntica e simples do mundo. Os cenários reverberam a índole do mangá de uma forma tão genuína, que nós conseguimos perceber até mesmo a riqueza dos detalhes femininos nas paletas de cores levemente pasteis.

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Sempre serei apaixonada por essa simplicidade.

 

❥ O GRUPO CLAMP

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Eis aqui nosso quarteto fantástico originário da região de Kansai, no Japão! Composto por Ageha Ohkawa, Mokona, Tsubaki Nekoi e Satsuki Igarashi, o grupo CLAMP se tornou muito famoso na indústria dos mangás nos anos 90, principalmente por obras como Sakura Card Captors (minha infância em um anime), xxxHOLIC, Kobato, Magic Knight Rayearth, Tsubasa: RESERVoir CHRoNiCLEWatashi no Suki na Hito, dentre outras obras que viriam a fazer sucesso até hoje. Dentre essas, acabei escrevendo rapidinho sobre Watashi no Suki na Hito aqui (apelidado no Brasil de “A Pessoa Amada”). Na época achei muito interessante, pois não se parecia com um mangá… é como se fosse um diário da vida de várias garotas contido em um lugar só. Retrata fatos importantes no cotidiano da mulher moderna, englobando temas voltados para relacionamentos humanos: insegurança, idade, distância, casamento, orgulho, liberdade e amor.

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Gosto muito das obras desse grupo, justamente porque a maioria dos seus personagens são muito bem trabalhados e autênticos, eles não têm uma fórmula perfeita de dissertar as coisas. Por ser um grupo que é composto exclusivamente por mulheres, nós conseguimos enxergar nitidamente a perspectiva feminina em seus trabalhos – além de apreciar diálogos ricos e reflexivos, xxxHOLIC que o diga. Outra coisa interessante é que existe uma teoria, que inclusive será tema de um próximo post quando evidenciar que finalmente surtei de vez, que correlaciona o fato de todas as obras do CLAMP ESTAREM INTERLIGADAS.

Ok, eu não sou louca e você irá entender em poucas palavras: os mundos de todas as obras de tal grupo possuem uma ligação em comum, uma espécie de interseção, como se cada um vivesse em um mundo paralelo que retoma detalhes de obras antigas (só que em tempos diferentes), falas específicas, personagens específicos e, consequentemente, mortes específicas que são justificadas em vidas passadas.

Enfim, CLAMP não é um grupo excêntrico de mulheres que decidiu publicar mangás… é um universo – que merece um post apenas para ele. 

 

❥ Outras obras que foram importantes nos anos 90:

Shoujo Kakumei UtenaFushigi YuugiKareshi Kanojo no Jijou (Karekano)

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Comentário rápido:

Achei essencial colocar esses três animes aqui, porque eles foram lançados no finalzinho dos anos 90 e possuem representatividades diferentes. Enquanto Utena tem um enredo um pouco mais psicológico e misterioso quanto às ações da protagonista que tenta conquistar seu lugar na sociedade para atingir seu objetivo, em Fushigi Yuugi a protagonista aérea é meio que lançada em um mundo de fantasia onde tem que praticamente se virar para sobreviver. Ambas as obras retratam o empoderamento feminino. Já em outro contexto completamente diferente, temos KareKano: um shoujo escolar. Qual a finalidade de colocar um shoujo escolar aqui? Não se trata de um anime que enaltece a figura feminina, mas sim de uma obra que desmistifica o padrão de como a mulher deve ser na sociedade. De certa forma, é uma crítica de como muitas mulheres se cobram em aparentar ser uma coisa na frente dos outros, porque são inconscientemente instruídas a seguirem “padrões”.

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Uma observação importante: ainda sobre Shoujo Kakumei Utena, uma coisa que pouco é discutida hoje em dia envolve a diversidade de etnias em animes. Utena é um dos raros animes que possui uma protagonista negra. Isso é um fato muito, mas muito importante. É um exemplo de uma relevância tremenda, porque quase não existem personagens negras, quem dirá uma protagonista. Não poderia deixar de comentar isso aqui, pois é bastante gratificante e inspirador notar que ainda existem autores que se preocupam com a representatividade de certas minorias no universo dos animes.

Nossa Anthy Himemiya (The Rose Bride) abaixo:

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ANOS 2000 –  NEM SEI O QUE PENSAR.

Simmm!! Finalmente chegamos nos anos 2000! Depois de explanar toda essa evolução através dos anos quanto ao papel feminino nessa indústria, finalmente conseguimos alcançar a última etapa da nossa linha do tempo. Como vocês viram, o mundo mudou muito desde 1950, várias personalidades ajudaram na inserção da mulher nesse campo competitivo, algumas pessoas dedicaram até mesmo sua vida inteira em prol de obras dignas que expressassem o descontentamento feminino contra uma sociedade conservadora e machista.

Depois de todooooo esse processo, o que vocês acham que aconteceu nos anos 2000? Uma revolução? A indústria japonesa evoluiu tanto ao ponto de pelo menos criar noção das merdas que estava fazendo com a figura da mulher?

 

NÃO

Hoje em dia, é esse tipo de porcaria que encontramos:

 

ABUSO SEXUAL

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POPULARIZAÇÃO DE PERSONAGENS NOJENTOS

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ROMANTIZAÇÃO DA SUBMISSÃO

“Você me ama, não vai ser capaz de amar mais ninguém”
“cena mais romântica” ? lol
(frase da nossa redadora diva: Mih-nyan)

UM JOGO RETARDADO DE SEIOS E BUNDAS QUE EXPÕE AS MULHERES (facepalm eterno)

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SEXUALIZAÇÃO INFANTIL

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AH PELO AMOR DE DEUS!

A HUMANIDADE CHEGOU NO FIM DO POÇO

 

Pior é que tem um povo doente que acha isso NORMAL. A única coisa normal seria minha mão voando na cara de vocês. Isso é inadmissível. É triste DEMAIS ver que a mulher ainda é tratada como objeto sexual principalmente em mangá Shounen e estereotipada em mangá Shoujo. Não vou nem comentar sobre o primeiro episódio de Goblin Slayer aqui, antes que decida jogar água sanitária em meus olhos… só uma pessoa demente iria tentar justificar aquela cena de estupro como normal ou irrelevante visto que existe coisa pior por aí, CLARO QUE EXISTE COISA PIOR POR AÍ ÔH BACTÉRIAS QUE SABEM DIGITAR, mas isso não encobre o fato de ser asqueroso e doentio só pelo fato das pessoas pensarem que é “previsível” uma merda dessas. O tamanho do período passado (referente ao meu desabafo) foi proporcional a minha raiva e decepção. Para mais ataques de surtos verdadeiros sobre esse episódio cliquem aqui

 

Enfim, gente… é nessas horas que eu quero gritar coisas como:

 

ESCUTA AQUI SEUS MARGINAIS… OSAMU TEZUKA NÃO MORREU DEIXANDO UM LEGADO PRO FEMINISMO E VÁRIAS MULHERES MANGAKÁS NÃO LUTARAM EM VÃO PARA VOCÊS FAZEREM ESSA DESGRAÇA COM A REPRESENTATIVIDADE FEMININA, SEUS ARROMBADOS.

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Momento zen para respirar e EXORCIZAR A RAIVA em….

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3

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Daí vocês me perguntam: por que merda fazem isso com a representatividade feminina dentro da indústria? Eles entopem certas obras de sarcasmo, romantizam abusos e recriam uma imagem puramente sexual da mulher por um simples fato: isso vende. E vende muito. Esse tipo de lixo vende mais do que o próprio conteúdo da obra em si. Por isso, infelizmente, vemos um monte de animes bons sem uma segunda temporada, mas aquele anime ridículo cheio de mulheres seminuas e com mentalidade de uma ervilha… AH ESSE AÍ TEM QUE TER 2ª TEMPORADA E SE PÁH UMA 3ª PRA FECHAR COM CHAVE DE OURO!

Sabe? É nesses momentos que penso mesmo em desistir da humanidade. O problema não é apenas as pessoas que criam esse tipo de conteúdo tóxico, mas também o povo que compra porque acha normal. Seria muito mais fácil internar um mangaká em específico do que metade da população do Japão néh? Enfim, esse país tem sérios problemas.

“Ah Sáh, mas você tá exagerando…”

Mano, quando até a ONU tenta chamar atenção do governo japonês quanto a isso é porque de fato existe um problema. A ONU.

A ONU

A ONU, PORRA.

Só que vocês acham que acabou por aí? Não cara, não basta a vergonha alheia ser internacional, tem que atingir expansões galácticas mesmo. Sabe o que é a Organização das Nações Unidas tentar chamar atenção do governo do Japão quanto a esse tipo de assunto e os caras argumentarem coisas como:

“Todo mundo tem o direito de expressar sua opinião” ???

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“Opinião”… Sexualização infantil…

“Opinião”… Banalização da mulher…

“Opinião”… Cenas de estupro como algo normal…

Enquanto esse tipo de coisa é “opinião” no Japão, É CRIME em outros países. Nunca fiquei tão envergonhada em minha vida presenciando uma coisa dessa. Parece até que estamos lidando com antas acéfalas, as pessoas perderam a noção do senso comum, da moral e da ética. Enfim, para quem quiser entender o que de fato aconteceu e se aprofundar mais sobre esse episódio nojento, cliquem nos links abaixo:

  1. ONU pede proibição de mangás com teor pedófilo no Japão
  2. Mangás eróticos com crianças geram debate sobre liberdade de expressão no Japão
  3. Un an après #MeToo, le sexisme dans les mangas persiste

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Então, depois de TODA essa DECEPÇÃO… será que ainda existe salvação?

Apesar do feminismo nos animes e mangás aparentar estar trancafiado em uma caixa com 5 chaves, existem obras que retratam a figura da mulher de maneira forte, inspirante e corajosa em plenos anos 2000? CLARO QUE EXISTE E EU VOU TE MOSTRAR.

 

9 indicações de animes/mangás abaixo escolhidos por mim referente aos anos 2000:

 

Cliquem no título para ler a sinopse no MAL.

Gokusen 

A versão feminina de GTO, só que bem melhor. Eis aqui uma protagonista excêntrica… forte, inconsequente, bonita, professora e herdeira da yakuza. Kumiko Yamaguchi é uma das poucas personagens do Josei que gosto e acho inspirante, justamente porque para essa personagem sua vida amorosa é tão importante quanto a profissional. Ela leva sua carreira de professora muito a sério, mesmo que esteja lidando com alunos baderneiros. Não esperem uma protagonista omissa de 20 e poucos anos que só pensa em casamento como uma “boa mulher tradicional japonesa”. Ela é doida. 

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Ano: 2004. Tipo: Anime. Episódios: 13. Estúdio: Madhouse. Demografia: Josei. Gêneros: Slice of Life, Comedia, Drama, Escolar. Mangaká: Kozueko Morimoto.

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Cowboy Bebop

Você deve tá se perguntando: WHY? Muito além de ter personagens femininas fortes, Bebop é um dos poucos, senão raros animes, que balanceou a igualdade de gênero dentro da própria história. Poucas pessoas sabem, mas Ed é na verdade uma menina… Na época, Shinichiro Watanabe e Hajime Yatate entraram em consenso e decidiram fazer uma história fora dos padrões: igualaram a representatividade feminina com a masculina numa indústria em que, pode reparar, até hoje, dificilmente encontramos trios ou quartetos de protagonistas em animes/mangás com uma quantidade de mulheres superior ou sequer equivalente à de homens. Sobre o enredo de Bebop: é surreal demais para descrever apenas em poucas linhas, ou seja… ASSISTA, ou morra de curiosidade aqui! hahaha

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Ano: 1998-2001 (devido ao filme). Tipo: Anime/Filme. Episódios: 26. Estúdio: Sunrise. Demografia: Shoujo (de acordo o M.A.L). Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama, Sci-Fi, Espaço. Autores: Shinichiro Watanabe (História), Yutaka Nanten, (Arte), Hajime Yatate (História).

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Black Lagoon

Black Lagoon é uma fábrica de mulheres piradas e insanas. Às vezes acho que esse negócio foi criado secretamente por Tarantino e ninguém sabe. Lembro como se fosse ontem que assisti esse anime, foi uma situação estranha de contentamento e medo… sabe quando a gente ri de desespero ou de susto vendo uma cena pensando “Mds que merda é essa??” seguido de “Pqp…” ? Sim cara, esse enredo é de uma doença inestimável. Os personagens são muito bem trabalhados, acho que nem preciso comentar sobre as mulheres disso aqui… muito além de fortes e saberem se defender sem depender de homem algum, cada uma possui uma personalidade EXTREMAMENTE única (Dá pra ver pela foto néh? kkkkk tem uma tailandesa segurando um facão e uma freira de óculos escuros com uma arma, obviamente agora vocês sabem de onde surgiu a inspiração da sister de Arakawa Under the Bridge).

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Ano: 2006 . Tipo: anime. Episódios: 12 (tem 2ª temporada). Estúdio: Madhouse. Demografia: Seinen. Gêneros: Ação. Mangaká: Rei Hiroe (História e Arte)

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Michiko to Hatchin

Claro que tinha que ter Michiko to Hatchin! Esse é um dos meus animes preferidos e não escondo de ninguém. Tudo nessa obra é encantador, inclusive as coisas feias. Desde os cenários mostrando a diversidade cultural brasileira (sim, ele é inspirado no Brasil) até a expressão intensa de seus personagens, essa história consegue nos envolver de um jeito inexplicável. Michiko to Hatchin é um anime único demais, extremamente impactante em screenplay e produção. As personagens principais, Michiko e Hana, dão vida ao anime com todo esse jeito de perseverança, coragem e amor que o brasileiro tem. Minha paixão por esse anime é tão grande, que já cheguei a indicá-lo AQUI.

SPOILER LEVE: no final vocês vão entender que a pessoa que a Michiko amava incondicionalmente não era o Hiroshi, mas sim a própria Hana.

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Ano: 2008-2009. Tipo: Anime. Episódios: 22. Estúdio: ManglobeDemografia: Shounen. Gêneros: Ação, Aventura. Produção original.

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Gintama!

COMO NÃO FALAR DE GINTAMA?? Esse anime é sensacional. Não diria que as mulheres de Gintama são exemplos para se seguir (até porque elas são malucas e estranhas), mas cada uma possui um jeito exclusivo e independente de ser! Gintama tem um screenplay muito aleatório e divertido, justamente porque é um dos únicos animes em que o fanservice para o público feminino é maior do que para o masculino. Admito que não curto certos tipos de fanservice e os de Gintama são claramente idiotas, mas é impossível não rir de tanta esquisitice. As mulheres desse anime são fortes e apaixonadas pela vida, mas quando estão irritadas, só Deus na causa… Kagura possessa pelo sangue Yato que o diga. Confiram meu excesso de loucura por esse anime AQUI e  AQUI. 

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Autor: Hideaki Sorachi. Tipo: Anime. Episódios: kkkkkkkk + 300 episódios, pois tem váárias temporadas. Estúdio: SunriseDemografia: Shounen. Gêneros: Ação, Ficção Científica, Comédia, Histórico, Paródia, Samurais, etc. Mangaká: Hideaki Sorachi.

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Fullmetal Alchemist: Brotherhood

Claro que Hiromu Arakawa estaria na lista! FMA se tornou uma referência no mundo do Shounen por possuir uma história boa, concisa e extremamente organizada. É um dos poucos mangás dessa demografia que encontramos mulheres independentes e que dificilmente são alvo de fanservice… não é à toa que foi escrito e ilustrado por uma mulher. As personagens de Arakawa inspiram coragem e iniciativa, inclusive crianças como a May Chang. Dá pra fazer uma lista de todas as mulheres que nos enchem de orgulho nessa história. Sempre será um dos meus animes preferidos e indico para todas as pessoas que conheço. Para alguns, FMA não é um anime ou vício, é quase que um estilo de vida.  

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Ano: 2009-2010 . Tipo: Anime. Episódios: 64 episódios. Estúdio: Bones. Demografia: Shounen. Gêneros: Ação, Militarismo, Aventura, Comédia, Drama, Mágica, Fantasia. Mangaká: Hiromu Arakawa (História e Arte).

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Yakusoku no Neverland (The Promised Neverland)

Um dos melhores mangás que li na minha vida. Já viu um Shounen girar em torno de uma figura feminina, mas não de um personagem masculino? POIS É, ESSE SHOUNEN EXISTE E É DA JUMP! E pra melhorar: o enredo é genuinamente esplêndido!  LEIAM ESSE TROÇO! Lançarei um pequeno desafio: leia os 5 primeiros capítulos, se você não gostar ou achar desinteressante, pare imediatamente. A figura central desse Shounen é uma garota, a protagonista é um show de exemplo para o tanto de merda que anda sendo publicada por aí. Emma é corajosa, destemida, inteligente e extremamente perspicaz. Quanto ao enredo, deixo isso como mistério, pois esse mangá… esse mangá infeliz… quase me infartou 12x.

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Ano: 2016. Tipo: Mangá. Capítulos: +100 em andamento no Japão. Demografia: Shounen. Gêneros: Mistério, Horror, Sci-Fi. Mangakás:  Demizu, Posuka (Arte), Shirai, Kaiu (História). Serializado: Shounen Jump (Weekly).

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Saiunkoku Monogatari

Choraaaaaa, sociedade! Vai ter Saiunkoku Monogatari no Shiritori sim! Primeiro, porque mulher não é sexo frágil, segundo porque mulher nasceu pra governar! Assistam esse anime e quebrem a cara com estilo, porque tem 2ª temporada. Resumindo: é bom demais. Mas por que diabos ninguém indica??? Não sei. Esse anime é espetacular! Ele tem como finalidade contar a história de uma personagem chamada Shuurei, que tenta com todas as forças adentrar na carreira política, área proibida para as mulheres na época em que vive. Saiunkoku Monogatari é um grande exemplo do feminismo nos animes, mas infelizmente pouca gente conhece. É muito recompensador acompanhar essa personagem desde o início, vendo seu crescimento intelectual e altruísta ao longo da história.

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Ano: 2006 – 2008. Tipo: Anime. Episódios: 39. Estúdio: Madhouse. Demografia: Shoujo. Gêneros: Aventura, Fantasia, Comédia, Romance, Histórico, Drama. Mangakás: Kairi Yura (Arte)Sai Yukino (História).

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Akatsuki no Yona

Eis aqui o mangá que viria a mudar minha vida e me fazer criar esse blog. Muita gente diz que adora o anime e o mangá, eu particularmente respiro os dois. Sinceramente, Akatsuki no Yona se tornou o reflexo puro do feminismo desde 2009. A protagonista evolui tanto, mas tantooo que fica praticamente irreconhecível no mangá. A mangaká transforma uma princesa mimada e incapaz de sequer segurar uma espada em uma fucking warrior louca. Yona se torna uma guerreira de corpo e alma, mas o mais legal é que isso não acontece da noite pro dia: ela chora, luta, apanha, mas tá lá em pé suportando tudo para poder proteger seu reino e seus amigos. É uma verdadeira protagonista, digna de carregar esse fandom inteiro alucinado por sua coragem, transparência e empoderamento feminino.

R A I N H A    F A Z    A S S I M,   A M O R E S.

yona5-horz.jpg– 8 motivos para ler Akatsuki no Yona –

Ano: 2009. Tipo: Mangá. Capítulos: +150 em andamento no Japão. Demografia: Shoujo. Gêneros: Ação, Comédia, Fantasia, Romance. Mangaká: Mizuho Kusanagi (História e Arte)Serializado: Hana to Yume ❤ Visitem nossa categoria especialmente criada para Akatsuki no Yona clicando AQUI.

 

UFA! Com isso, finalizei esse post imenso! 

 

Aos que leram tudo até aqui: obrigada e por favor vão se tratar. Brincadeiras à parte, deu muito trabalho fazer esse post… coletei informações por mais de 1 mês, então espero de coração que tenha ajudado alguém a entender um pouco mais sobre feminismo e o quanto ele é importante para as mulheres fora e dentro da indústria de animação. Pelo menos, acho que vocês já estão graduados sobre o assunto.

Sei que ainda existirão algumas pessoas masoquistas que perguntarão:

“Sáh, não tem mais indicação?”

Na verdade, existe cerca de 26 indicações APENAS para os anos 2000.  Recuso-me a falar dos anos anteriores, porque não quero assustar ninguém.  E, se vocês analisarem bem, isso aqui é uma arca imensa de indicações. Aproveitem.

“Você esqueceu de falar sobre ‘x’ obra e ‘y’ autor(a)”

Evidentemente, selecionei os melhores exemplos para colocar aqui devido ao tamanho do post T-T

Gostou do post? Compartilha com os friends! 

Como esse tema é bastante vasto e eu sou uma ativista/militante na vida real (sério), pretendo fazer dessa temática uma categoria no Shiritori, então de vez em sempre estaremos falando sobre isso aqui. Preparem-se, porque já tem gente da nossa equipe pilhando com novas ideias e eu não pretendo controlá-los kkkkk

 

Fontes:

  1. Todas essas informações foram retiradas das plataformas do MyAnimeList e Wikipédia. A maioria delas já estão linkadas juntamente com os nomes das obras e seus respectivos  autores. Sei que o Wikipédia não é uma fonte muito confiável, mas não possuo nenhum livro sobre quadrinhos e mangás que abrangesse sobre o que queria de verdade falar aqui. Acabei me guiando pelas datas e correndo atrás de dados.
  2. A maioria das imagens das mangakás foram retiradas do acervo de imagens do MyAnimeList.
  3. Outra fonte que usei foi a edição 117 da Neo Tokyo (revista brasileira financiada pela editora Escala), cujo título da capa é “A MULHER E O MANGÁ”. Infelizmente, essa revista faliu em Outubro de 2017. Inclusive, como ela não disponibilizava seus materiais em forma digital, escaneei uma parte dela que possuía uma matéria sobre Akatsuki no Yona. Vocês podem conferir AQUI
  4. Sobre direitos de imagem: montagens como a de Riyoko Ikeda, Kyoko Okazaki, Akatsuki no Yona e etc, foram feitas por mim. As montagens. As imagens não são minhas. Se existir alguma imagem que seja da sua autoria aqui, por favor me avise para colocar os créditos.

 

OBSERVAÇÃO BÁSICA:

Gosto de críticas, mas gosto de gente que saiba conversar sem vomitar pelos dedos, sem precisar insultar o coleguinha pra defender seu ponto de vista. Então, crianças, comentários machistas e floridos de ignorância que nem o do Makotinho serão ignorados, viu? E vão ser ignorados com gosto. 

pqp

Na verdade, tentem evitar esse tipo de gente tóxica em qualquer lugar na vida. Economiza tempo e paciência.

 

No mais, é isso! Nos vemos por aí! E não se esqueçam…

 

lady oscar

 

 

 

– See you space cowboy

42 Respostas para “A BÍBLIA FEMINISTA DO MUNDO OTAKU: onde está o feminismo nos animes e mangás?

  1. Gostei muito do post. E me lembrou que preciso ler e assistir Sayunkoku Monogatari.
    Só me incomodou os comentários sobre shoujo escolar. Sei que existem uns que só Madoka na causa, mas há vários bons. Fruits Basket foi o primeiro mangá com o qual me identifiquei na vida e a Tohru é uma ótima protagonista. Hana Yori Dango é melhor que Malhação *apanha*. Sem falar de vários outros, fofinhos ou cômicos, com protagonistas fortes. Aliás, não foi o seu caso nesse texto, mas nunca vou entender gente dizendo que “protagonista de shoujo é tudo burra, só as de shounen prestam”. A Risa de Lovely Complex ter superado o problema que tem com a própria altura é ser forte sim!

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    • Oi, vivi! Obrigada por comentar aqui. Sério, nem acredito que as pessoas estão lendo e gostando desse post com mais de +8000 palavras kkkk

      Sobre shoujos escolares: não tive um histórico muito bom com esse gênero, por isso minha “revolta”. Apesar disso, gosto muito de Lovely Complex, MARS, Tonari no Kaibutsu-kun, Oresama Teacher, Suki-tte Ii na yo, Orange (sempre será shoujo no meu coração), Aoharaido, Hirunaka no Ryuusei, Kaichou wa Maid-Sama, Mairimashita Senpai e outros que acabei não comentando aqui, porque senão o post ficaria grande demais. Eu só não curto muito os Shoujos que estão sendo lançados na Betsuma atualmente, porque são bem clichês e limitam demais as perspectivas das protagonistas sobre a vida. Inclusive, isso me deu uma ideai para um novo post kkkk aguarde, citarei seu nome nele! xD ❤

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      • Não tenho nem ideia do que tem saído na Betsuma agora, mas fiquei com medo. Se calhar de ler, o farei com os 2 pés atrás. XD Não tenho preferência por revistas então só vou por sinopses e etc. Mas aguardarei ansiosa pelo post!

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  2. Excelente post. Parabéns! 🙂 Ps.: Karekano fez parte da minha infância, quando eu comecei a ver anime. Derramei até uma lágrima só de ver a Yukino. Foi uma das histórias que me inspirou a escrever e sempre vejo como um shoujo escolar deveria ser tratado. Abraço.

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  3. Deve ter dado muito trabalho pesquisar tudo isso mas parabéns ficou incrível! ! Eu sempre me surpreendo com o cuidado que você e os outros autores tem com seus posts, fica tudo muito bem feito.
    Me deixou com muita vontade de acompanhar toda a linha do tempo pra poder ver eu mesma as mudanças, mas sei que meu tempo não vai permitir tão cedo. Mass pelo menos as mais relevantes ou que me chamaram atenção quero poder conferir.

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    • Muito obrigada! ❤

      Infelizmente, nosso tempo diminui à medida que nossas responsabilidades aumentam. Inclusive, nesse ano não acompanhei nenhum anime semanalmente. Tá complicado, mas espero que você consiga ver pelo menos 1 dos 9 que indiquei referente aos anos 2000.

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  4. Poxa que post excelente.
    Vou compartilhar para muita gente.

    Eu gosto de vários gêneros de mangás e animes e já me acostumei com os clichês (e até gosto de alguns). Mas, o fato é que o fanservice (e outros nojos) estão lá sempre estragando tudo.

    Veja que eu não sou contra ecchi, pois acho que se for um fator para deixar a estória mais realista é bem-vindo. Todavia, as editoras parecem jogar cenas ecchi nos animes como jogamos sal grosso na carne do churrasco.

    Eu não sei o que diabos tem no japão com essa coisa de estupro, tentáculos, lolicon, siscon e outras coisas. Gente !?! Tem algo errado aí.
    Um amigo meu que passoi uns tempos na zona franca de Manais me disse que vários japoneses pegavam jatinhos para transar, isso mesmo, transar com meninas que se prostituiam por lá (dependendo da região a prostitução é um ciclo na vida das mulheres que se sustentam prostituindo as filhas em uma vida de em média 38 anos).

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    • Se a arte é também reflexo da sua sociedade de origem, já temos os animes para comprovar que, no mínimo, existe algo de estranho no Japão. Infelizmente, esse tipo de perspectiva atrelada à imagem da mulher acontece em diversos países e o Brasil não é exceção. Mas, sinceramente, saber isso aí dos caras pegando jatinhos pra isso… Olha… eu queria explodir tudinho e tentar colocar pelo menos um pouco de juízo na cabeça dessas pessoas, mas sei que o buraco é bem mais embaixo. Enfim, é complicado falar do Japão, justamente porque além de se tratar de uma sociedade cuja cultura é dita como milenar, ainda carrega estigmas fortes como conservadorismo, machismo e outras coisas estranhas.

      OBS: Fico extremamente feliz que você tenha gostado desse post o suficiente para indicá-lo. Também estou divulgando ele pra muita gente que conheço kkkk

      [Resposta conjunta com nossa redatora linda Mika]

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      • Espera, deixa eu ver se entendi… primeiro você vem no meu post fazer baderna vomitando pelos dedos, daí descobre que os comentários são moderados justamente pra evitar que gente tóxica como você apareça falando merda aqui… e do nada se revolta?

        Se enxerga, cara. Não sou tia de creche pra ter que tá aturando criança vindo espernear em meu post.

        1) Aprenda a ser educado;
        2) Vá estudar pra ver se bota alguma coisa na cabeça que não seja preconceito ou merda;
        3) Diferente de você, não sou de direita ou de esquerda e isso pouco importa;
        4) Sofro ameaça na vida real por ser feminista e não é um indigente que nem você que vai me fazer mudar de opinião. Quem é você na fila do pão? Resposta: ninguém, um nada;
        5) Se sou otome ou não, isso não é problema seu.

        RESUMINDO: ignoro pessoas que não sabem conversar e que partem logo para o insulto, mas farei de você um exemplo, porque eu não nasci mulher para levar desaforo de você, quem dirá de qualquer homem na minha vida. FIM.

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      • Olá querido leitor,
        Espero que numa próxima vez, primeiro faça a sua lição de casa antes de vir emitir sua opinião e saiba que xingar não é argumento numa discussão e sim apenas a falta de provimento cultural perante o tema tratado.
        Então cuidado onde você enfia o seu palpite e obrigado pelo comentário.

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  5. Sáh, parabéns pelo texto maravilhoso e inspirador ❤ E muito obrigada por todo o tempo gasto escrevendo, e principalmente organizando todo esse conteúdo! Você deveria virar referência por ele ^-^
    Você expressou maravilhosamente minha indignação com o quanto subestimam personagens femininas em animes/mangás!
    Depois desse post, Saiunkoku Monogatari subiu muito na minha lista de prioridades.

    Curtido por 2 pessoas

    • Muito obrigada pelo carinho! Fico muito feliz que você tenha gostado, eu coloquei quase toda minha alma nesse post mesmo estando cheia de coisas para fazer da facu kkkkkk

      Assista Saiunkoku Monogatari, você vai se apaixonar pela protagonista! Ela é muito honesta, inteligente e esforçada!

      Curtido por 1 pessoa

    • “Não consegui parar de ler!” mds eu to chorando e rindo ao mesmo tempo ashuhsuah como esse post ficou MUITO grande, fique com medo de quase ninguém ler. Muito obrigada pelo comentário! ❤

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  6. Sáh, eu li esse post durante uma hora e não me arrependo de nada, PELO CONTRÁRIO, na verdade me trouxe enorme felicidade em ler ele, ver como várias pessoas criaram obras extremamente magníficas, centralizando em mulheres, dando espaço a elas, mostrando sua força de diferentes formas, juro que meu coraçãozinho até aqueceu >< As indicações finais de animes, eu até anotei alguns porque NECESSÁRIO, aliás o post inteiro como um todo foi. Dá pra ver o trabalho que vc teve montado tudo isso, e olha, está de parabéns, ficou incrível mesmo juntar uma riqueza de pessoas que deram protagonismo a mulheres que marcaram a vida de outras durante as décadas. Eu mesma sou marcada por algumas do artigo, então novamente, parabéns!!! Espero poder ler ainda mais posts sobre o tema

    Curtido por 2 pessoas

    • Omg, Bea! Você por aqui? Que honra! ❤

      "Eu li esse post durante uma hora" ri demais kkkkkkk que bom que você gostou e conseguiu ler tudo até o final! Não tem gratificação maior do que ler isso, pelo menos espero que ele tenha agregado alguma coisa na sua vida e de outras pessoas. Ah pode deixar que essa temática será bem mais frequente aqui, ainda mais nesses tempos difíceis…

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  7. Não acredito que consegui ler tudo, e sem ao menos perceber 40 minutos já tinham se passado e eu queria mais. Simplesmente um afrontoso TAPA NA CARA, e é assim que eu gosto. Parabéns pelo conteúdo, Sáh, ficou muito informativo *-* espero que seja muito compartilhado e diversos sites venham entender a importância de falar sobre o assunto.

    MUITO BOM ♥️

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    • B-B-Bia? OMG! ❤

      Obrigada por vim comentar aqui, to muito feliz que você tenha gostado. Não acredito que você queria mais, sua ma-so-quis-ta kkkkkk sabe o que é isso? UM SINAL! Larga o Anime Indica e vem ficar comigo aqui no Shiritori T-T o Edu vai me matar, mas é mais forte do que eu…

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  8. QUE. POST. MARAVILHOSO.
    Ñ sou lá uma militante ferrenha, apesar de me interessar em ler sobre o tema e desconhecia essa linha temporal das obras, mesmo sabendo o quão impactante certas obras foram por já ter ouvido falar. Apreciei toda a leitura do texto e tive imensa curiosidade nos títulos q desconhecia, alguns adicionados à lista do MAL c/ sucesso.
    Compartilho contigo essa frustração sobre animes/mangás atuais e, principalmente, c/ a falta de criatividade nos shoujo. Tenho tido cada vez menos interesse na busca de coisas novas por ver/ler, pois nada tem me chamado a atenção pela sinopse e qdo me recomendam sempre parece mais do mesmo. Shoujo escolar ñ vejo/leio mais nenhum, mahou shoujo tá superestimado, poucos josei e yuri. Acabo caindo pros shonen e, vez ou outra, encontro animes muito bons, mas a maioria é mediano e outros cheios de fanservice. Estou iniciando minhas irmãs no mundo oriental e acabo filtrando muita coisa bosta de chegar nelas, de maneira q elas possam aproveitar os melhores conteúdos. (Akatsuki no Yona foi devidamente introduzido e arranjei companhia pra respirar junto esse mangá perfeito)
    Sobre o Goblin Slayer, eu nem tive coragem de ver, pois a quantidade de garoto indicando pros outros, mesmo sabendo e comentando sobre o teor já me deixou assustada. Vou passar longe p/ preservar minha sanidade.
    Passei o olho e vi vários títulos de posts interessantes, vou me aventurar em acompanhar o site. Parabéns pelo trabalho excelente e fico no aguardo de ler mais conteúdo tão interessante quanto. 😉

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    • Oi, moça! Obrigada por vim comentar aqui ❤

      Também não sou muito fã de shoujo escolar, mas recentemente estou até que gostando de alguns – pelo menos os que não são tão clichês. Adorei o fato de você também ser fã de Akatsuki no Yona (dá uma olhada depois nos nossos Dramas CDs no Youtube), AkaYona já virou uma espécie de religião kkkkk Fico feliz que tenha gostado do post e que, sobretudo, ele tenha agregado algo em sua vida. Aliás, você é uma guerreira por ter conseguido ler tudo até o final! Como esse post também é uma arca enorme de indicações, espero que goste das obras que mais te chamaram atenção aqui – até porque, modéstia à parte, não tem uma coisa que indico que seja ruim xD

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  9. Esse post tá maravilhoso! animes como Utena e Rosa de Versalhes já fizeram eu refletir bastante e me tornar uma pessoa melhor, e espero que mais gente faça isso vendo seu post. Já coloquei na lista as indicações que não vi ainda e vou ver Honey Honey só por causa dessa sinopse XD

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  10. Aquele post de qualidade!!! A algum tempo tava reparando o problema dos mangas em relação a personagens femininas, coisas que eu não reparava quando era mais nova, coisas como a Sakura e a Hinata em Naruto terem a capacidade de serem algumas das personagens mais fortes do anime e serem totalmente brutalmente desperdiçadas, e isso tava me matando tando que tava procurando apenas obras com personagens principais femininasou que ao menos falorizassem a personagem, mas sei que é bem difícil, e todos os que você recomendou eu tinha assistido. Você expôs o que tava entalado na garganta de muita otaku por ai!!! Minha heroina kkkk

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    • Olá, Stéphane! Que bom que você gostou do post! Esse tema precisa ser mais discutido, porque sinceramente… falta muita representatividade feminina nos animes e mangás. Sofri demais lendo Naruto, tu nem tem noção kkkk acompanho bem antes de lançar o anime e mangá aqui no Brasil. Até hoje não consigo me conformar com o estado da Sakura, umas das minhas personagens preferidas, pq lá no fundinho do meu coração sei que ela poderia ser uma das personagens mais fortes dos animes.

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  11. Adorei o post, suas análises e recomendações. É muito bom ver uma opinião feminina nesse meio dominado por homens. Conheci hoje o site, mas agora vou sempre acompanhar!

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    • aaaaaa obrigada pelo feedback positivo, Ana! Tô feliz demais em saber você gostou desse post e de outros também! Dá uma olhada em meu vício indômito por Akatsuki no Yona, aquilo ali sim é feminismo puro.

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  12. olha eu adorei o seu post , me informei pra caramba e respondeu bem a minha pergunta :”caraca será q existe anime com feminismo ?,pq os de hj a mulher é só peito e bunda fanservice e sexualização!”,puxa não sabia que tinha essa gama de animes ,parabéns pelo trabalho!!!

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    • Oi, Karen! Obrigada por vim comentar aqui no blog! Que bom que gostou do post, espero que desfrute das indicações, afinal tem vááárias xD kkkk

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  13. Você fez um trabalho incrível, e o texto está mega interessante. Gostaria de parabenizá-la e agradecê-lá, fez o meu dia! chega me emocionei, pois né, mulheres e seus protagonismos e personalidades é algo lindo, e digno de um textão desses. Obrigada!!

    Catei várias recomendações, e estou feliz com isso também.

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    • Omg Maria, você também fez meu dia! xD
      Fico feliz em saber que gostou mesmo desse post imenso, pois o fiz com muito carinho. Desfrute das indicações, você não irá se arrepender! ❤

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  14. Dica: Basara! Mangá com 10000… de tons, personagens bem trabalhados, e a principal forte! A história vai evoluindo na sua frente, e as mulheres desse mangá são incríveis! vale ler os 194 capítulos e cada extra. 🙂

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    • Barasa, o mangá de Yumi Tamura? Já está na minha lista! Estou lendo e achando a história incrível, não o indiquei aqui antes pois só o conheci bem depois de escrever o post .-.

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